O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a proferir ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista transmitida pelo canal argentino LN+ no último domingo (3).
Na ocasião, Milei referiu-se a Lula como “ladrão” e “corrupto”, questionando a decisão judicial de 2019 que anulou as condenações do presidente brasileiro. “Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, declarou o líder argentino. Milei afirmou que a declaração foi feita com “palavras espontâneas” e defendeu sua postura alegando que “é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar”.
As novas declarações intensificam o impasse diplomático recente entre os governos vizinhos. Na semana anterior, Milei já havia chamado Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista” durante um evento político do Partido Liberal em São Paulo em apoio a Flávio Bolsonaro.
Após o episódio anterior, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, de volta ao país para consultas. Em nota, o Itamaraty considerou o ocorrido um evento “sem precedentes”, enquanto o chanceler Mauro Vieira definiu o caso como grave, embora tenha descartado medidas mais drásticas por ora.
Em pronunciamentos anteriores, Lula classificou a atuação de Milei como “patacoada” e afirmou que manteria as relações no plano estritamente institucional de chefe de Estado para Estado, referindo-se ao presidente argentino como “aquela coisa”. Até o momento, o governo brasileiro não se pronunciou formalmente sobre as declarações concedidas no domingo.
As condenações de Lula na Justiça Federal do Paraná no âmbito da Operação Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019, após o plenário entender que houve parcialidade na condução dos processos referentes ao triplex do Guarujá, ao sítio de Atibaia e às doações ao Instituto Lula. Segundo a reportagem, apesar das divergências políticas entre os mandatários, as relações comerciais e institucionais entre Brasil e Argentina continuam preservadas.