O advogado Willer Tomaz, apontado como um dos donos da aeronave utilizada em viagem pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) dos Estados Unidos para o Brasil, é investigado pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Sem Desconto. A apuração apura fraudes bilionárias cometidas por meio de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Conforme divulgado pelo g1, o parlamentar viajou em janeiro do ano anterior na companhia de familiares e de Tomaz. O voo ocorreu em um jato administrado por uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Deflagrada em 23 de abril de 2025 pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), a Operação Sem Desconto alcançou Tomaz devido à sua proximidade com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que já era investigado. Em agosto, o advogado foi alvo de mandados de busca e apreensão para averiguação de transações financeiras e patrimoniais supostamente voltadas a ocultar bens do congressista. A PF qualificou Tomaz como uma estrutura de sustentação patrimonial do parlamentar, abrangendo firmas, imóveis, aeronaves e operadores.
Segundo os investigadores, a conta da esposa de Weverton, Samya, servia como canal para o recebimento de recursos atípicos, tendo acumulado mais de R$ 11 milhões repassados por pessoas jurídicas vinculadas a Tomaz em 2024. A PF identificou ainda que a compra de imóveis constituía método para dissimular os desvios, incluindo uma residência avaliada em R$ 6 milhões atribuída a Weverton, mas registrada em abril de 2023 em nome de uma firma ligada ao advogado.
Em 2017, Tomaz chegou a ser preso sob suspeita de interferência nas apurações da Operação Greenfield, que investigou irregularidades em fundos de pensão. A etapa recente decorreu da perícia no aparelho celular de Weverton apreendido em dezembro.
Em manifestação oficial, Tomaz contestou que o avião pertença a Vorcaro e sustentou não possuir contato com o banqueiro: “Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza. A venda da cota de terceiro à Prime You ocorreu sem o conhecimento e sem a anuência de Willer Tomaz. Ao tomar ciência, em abril de 2026, denunciou o contrato e está desde então em litígio com a Prime You”.