As emissoras CNN e MS NOW (antiga MSNBC) e o portal de notícias Politico relataram que seus profissionais continuam impedidos de entrar na Casa Branca. A restrição ocorre mesmo após uma decisão judicial emitida nesta quinta-feira (24/09), que determinou a devolução imediata das credenciais de imprensa dos três veículos barrados pela administração do presidente Donald Trump.
Segundo o Politico, integrantes do Serviço Secreto confiscaram a credencial de um de seus repórteres nesta quinta-feira e vetaram sua entrada. Conforme o relato do veículo, “um agente do Serviço Secreto indicou que o jornalista não possuía a autorização necessária para entrar, embora pudesse fazê-lo por meio de um passe diário temporário (concedido a repórteres que não possuem autorizações permanentes)”. Já a CNN comunicou que parte de sua equipe de reportagem foi barrada no início da manhã na sede do Executivo norte-americano.
A liminar favorável à imprensa foi assinada pelo juiz federal Timothy Kelly. O magistrado avaliou que a revogação das credenciais, realizada sem aviso prévio e sem o devido processo legal, “violou provavelmente os seus direitos constitucionais” referentes à liberdade de imprensa.
O bloqueio aos três veículos havia sido anunciado por Trump na última sexta-feira sob a justificativa de combate a supostas “notícias falsas”. Posteriormente, a presidência alegou que a cobertura dos veículos representava uma ameaça à segurança nacional.
Kelly, magistrado nomeado por Trump em 2017, ressaltou que a administração pública precisa ter parâmetros objetivos para sustentar a cassação de credenciais. Para o juiz, o termo “cobertura jornalística questionável”, citado pelo governo em notificações às empresas, mostrou-se “tão vago que mal serve para esse propósito”.
O magistrado também descartou o argumento de risco à segurança nacional, apontando a inexistência de justificativa prévia nos autos. Em sua decisão, afirmou: “Não há nada nos autos […] que sugira que a revogação das credenciais permanentes dos autores tenha sido motivada por preocupações com a segurança nacional”.
Em resposta aos impedimentos, a associação de imprensa responsável pelo pool presidencial — composta pelas emissoras CNN, ABC, CBS, NBC e Fox News — anunciou a suspensão temporária da cobertura dos eventos de Trump em solidariedade aos colegas afetados.