Lula foca em ações contra apostas e Flávio busca voto útil na reta final

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

A 11 dias do primeiro turno da eleição presidencial, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) definem diretrizes estratégicas para a reta final de votação. Enquanto o comitê petista aposta no anúncio de medidas regulatórias ou restritivas ao setor de apostas eletrônicas (bets) para melhorar sua avaliação, a campanha do PL concentra esforços na atração do voto útil entre apoiadores de outros candidatos de direita.

Segundo informações apuradas junto à equipe econômica, o presidente Lula pretende divulgar até 4 de outubro medidas de endurecimento ou proibição das apostas no país. Integrantes do governo esperam o retorno de Lula ao Brasil, após sua ida à Assembleia Geral da ONU, para bater o martelo sobre a proposta, que oscila internamente entre a edição de uma medida provisória ou o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional. Durante discurso na ONU, o presidente declarou que “o Brasil não vai mais tolerar esse modelo de negócio”.

A avaliação interna do governo aponta que o tema dialoga com segmentos religiosos, mulheres e com o discurso em torno da família. Um membro da equipe econômica afirmou, sob reserva, que a discussão só é possível no momento devido à regulamentação prévia, ressaltando: “Tem uma preocupação com a melhor forma de fazer e possíveis consequências jurídicas e arrecadatórias. Mas há um consenso de que algo deve ser feito”.

No campo adversário, a campanha de Flávio Bolsonaro adota a defesa do voto útil como eixo principal. Dados do instituto Quaest divulgados na segunda-feira (21) indicam que a preferência agregada por outros nomes recuou de 17% em 7 de setembro para 15% na medição mais recente. Com mensagens como “podemos ganhar no primeiro turno” nas redes sociais, interlocutores da campanha afirmam sob reserva que o objetivo é convencer o eleitorado conservador que pretendia apoiar terceiras vias a concentrar os votos já no primeiro turno.

Disputa envolve ‘Dark Horse’ e STF

As duas frentes também reforçam temas de desgaste mútuo. A coordenação de Lula planeja manter o foco na relação de Flávio com o escândalo do Banco Master a partir do apoio financeiro ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A sondagem da Quaest apontou que a fatia de eleitores que vê o candidato do PL como o mais atingido pelo caso subiu de 15% para 21%, ultrapassando o Supremo Tribunal Federal (STF), citado por 16%.

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, sustentou em publicação que Flávio é o único candidato investigado no episódio por suspeita de repasses ligados à instituição financeira.

Por sua vez, a equipe de Flávio Bolsonaro intensifica ataques à relação de Lula com o STF e ao envolvimento com o mesmo caso financeiro. O candidato explorou a publicação de imagem do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro para contrapor falas de Gonet sobre afastamento do banqueiro, publicando críticas à conduta de aliados do governo federal.

De acordo com a Quaest de segunda-feira (21), Lula e Flávio estão em situação de empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, Lula aparece com 37% e Flávio com 33%. Na simulação de segundo turno, Flávio registra 42% e Lula soma 41%.

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