O comitê responsável pelo Prêmio Nobel da Paz anuncia nesta sexta-feira (9) o laureado da edição de 2026. Ao todo, 287 candidaturas foram registradas para a premiação deste ano, sendo 208 pessoas e 79 organizações, segundo dados informados pelo comitê do Nobel.
A relação formal de concorrentes permanece sob sigilo por 50 anos dentro de um cofre no Instituto Nobel da Noruega, em Oslo. Contudo, analistas costumam apontar nomes cotados com base no cenário internacional. O Comitê Nobel Norueguês afirmou que “acompanha de perto a reconfiguração da ordem mundial e as pessoas que promovem novas formas de cooperação”.
Quem decide a premiação
A escolha é realizada pelo Comitê Nobel Norueguês, formado por cinco integrantes indicados pelo Parlamento da Noruega. A composição do colegiado reflete o equilíbrio partidário do parlamento local, mas os membros não possuem vínculo com o governo norueguês. O atual colegiado tem como líder o chefe da filial norueguesa do PEN Internacional e conta também com a presença de um acadêmico.
Critérios e funcionamento
Os requisitos para a premiação foram definidos no testamento de 1895 do industrial sueco Alfred Nobel, determinando que o prêmio cabe a quem “tenha feito mais ou melhor para promover a fraternidade entre as nações, a abolição ou redução dos exércitos permanentes e a realização e promoção de congressos de paz”.
De acordo com Kristian Berg Harpviken, secretário do comitê, a decisão também considera o contexto contemporâneo. Em declaração à agência Reuters no ano passado, Harpviken afirmou: “Eles vão olhar para o mundo, ver o que está acontecendo, quais são as tendências globais, quais são as principais preocupações, quais são os processos mais promissores que vemos”. O secretário acrescentou que “processos aqui podem significar qualquer coisa, desde um processo de paz específico até um novo tipo de acordo internacional que esteja em desenvolvimento ou que tenha sido adotado recentemente”.
Candidaturas e deliberações
Podem enviar indicações membros de parlamentos e governos, chefes de Estado em exercício, ex-vencedores do prêmio e professores universitários de áreas específicas como direito, história, ciências sociais e filosofia. O prazo para o público encerrou-se em 31 de janeiro, enquanto os integrantes do comitê puderam apresentar nomes até a primeira reunião em fevereiro.
Durante o processo, o colegiado elabora uma lista de finalistas, analisada com apoio de consultores e especialistas. As decisões costumam ser definidas entre agosto e setembro, preferencialmente por consenso ou por votação majoritária.
Cotados e premiação
Entre as pessoas mais citadas por analistas nesta edição estão o Papa Leão XIV, o jornalista e ativista Jimmy Lai, o economista Ilham Tohti, a relatora especial da ONU Francesca Albanese, o premiê canadense Mark Carney e o ativista Mykola Kuleba. Entre as instituições cotadas, constam o Tribunal Penal Internacional (TPI), a Estação Espacial Internacional (ISS), a Corte Internacional de Justiça (CIJ), a organização Save the Children e a rede sudanesa Salas de Resposta de Emergência do Sudão.
Líderes de Israel, Camboja e Paquistão afirmaram ter indicado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, a verificação dessas alegações não é possível e as chances de vitória de Trump são avaliadas como reduzidas, embora sua influência política seja considerada.
O vencedor do prêmio recebe uma medalha de ouro, um diploma e 12 milhões de coroas suecas, montante equivalente a cerca de R$ 6 milhões.