Governo brasileiro monitora visita de milei e prepara resposta a possíveis ataques eleitorais

Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Planalto atento a discursos em convenção do PL para defender instituições.

O governo brasileiro, por meio do Palácio do Planalto, está monitorando de perto a visita do presidente da Argentina, Javier Milei, ao Brasil neste fim de semana. A agenda do líder ultraliberal, que inclui a participação na convenção nacional do PL para oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, é acompanhada com atenção devido à possibilidade de ataques ao sistema eleitoral ou às instituições brasileiras, o que provocaria uma resposta oficial. Milei desembarca no País nesta sexta-feira, 24 de julho de 2026, e cumprirá compromissos em São Paulo no sábado.

Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto interpretam uma eventual ofensiva contra o sistema eleitoral brasileiro como parte de uma articulação internacional da extrema-direita. Essa preocupação intensificou-se nas últimas semanas, diante de declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que criticou o cenário brasileiro, e foi reforçada por discursos de aliados do bolsonarismo, como o próprio Flávio Bolsonaro, que proferiu inverdades sobre a segurança das urnas eletrônicas em um evento com diplomatas. O governo federal avalia que tais manifestações seguem uma estratégia coordenada para minar a confiança no processo eleitoral.

A agenda de Javier Milei no Brasil prevê um encontro com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), antes de sua participação na convenção do PL. Não há, contudo, previsão de reunião com o presidente Lula (PT), tendo o governo brasileiro sido comunicado da viagem apenas por questões protocolares e de segurança. Auxiliares do presidente Lula afirmam que, embora manifestações em defesa de Flávio Bolsonaro sejam consideradas parte da disputa política, qualquer questionamento ao sistema eleitoral ou às urnas eletrônicas exigirá uma reação imediata do governo.

A visita de Milei também sublinha a crescente aproximação entre o presidente argentino e o campo bolsonarista no Brasil. Esta é a terceira viagem de Milei ao País desde que assumiu a Presidência da Argentina, em dezembro de 2023. Em julho de 2024, ele participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) em Balneário Camboriú (SC), ao lado de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas, sem agenda oficial com o governo federal. Um gesto recente que evidenciou essa proximidade foi a tentativa de Milei de visitar Jair Bolsonaro durante esta viagem, solicitação que foi negada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

A postura do governo brasileiro em relação a possíveis ataques já foi sinalizada pelo presidente Lula. Ao comentar o apoio de Marco Rubio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, Lula afirmou, em 20 de julho, que o norte-americano poderia “vir montar um comitê” no Brasil, garantindo que derrotaria os adversários nas urnas para defender a democracia brasileira. Essa declaração é vista por auxiliares como um claro indicativo da linha que será adotada caso Javier Milei profira declarações semelhantes durante sua passagem pelo País, reforçando o compromisso do Planalto com a integridade do processo eleitoral.

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