A disputa pelo governo de Pernambuco entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o candidato João Campos (PSB) motivou a abertura de duas ações cautelares na Justiça Eleitoral. Ambos os lados alegam ser alvos de estruturas organizadas de ataques na internet e afirmam a existência de supostos “gabinetes do ódio” e ações de “milícias digitais”.
Conforme informou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), as ações tramitam em segredo de Justiça e têm como objetivo central a “produção e a preservação de provas”. O órgão não divulgou os alvos específicos nem os detalhes das acusações devido ao sigilo processual.
Denúncias apresentadas pelos dois lados
A ação impetrada pelo PSB alega a ocorrência de “impulsionamento inorgânico de conteúdos” e aponta a suposta formação de uma estrutura para atacar a candidatura de João Campos. A iniciativa ocorreu após a TV Record veicular uma gravação em que Amisadai Andrade da Silva, então servidor comissionado do governo estadual, relatava o funcionamento de uma rede destinada a desgastar o adversário. Após o caso, ele foi exonerado do cargo de superintendente de operações da Arena de Pernambuco. A governadora negou irregularidades e classificou o conteúdo da matéria como mentiroso.
Por sua vez, a coligação Pernambuco de Coração, que apoia a reeleição de Raquel Lyra, acionou a Justiça apontando uma suposta “rede coordenada de disseminação de conteúdo de ataque à governadora”. No início do mês, a gestora prestou queixa à polícia após receber microtransferências via Pix e identificar um vídeo manipulado no qual supostamente pedia recursos a eleitores. Além disso, a Justiça Eleitoral determinou que um perfil favorável a Campos retirasse do ar uma imagem adulterada que relacionava Lyra a Flávio Bolsonaro (PL).
O TRE-PE enfatizou que os processos são independentes, foram movidos por lados opostos e seguem em fase probatória, sem decisão conclusiva sobre a existência legal ou responsabilização pelas referidas redes.