O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país será responsável pelo controle da segurança da Groenlândia de forma permanente. A declaração foi feita pelo líder norte-americano na sexta-feira (18), e a assinatura oficial do documento com o Reino da Dinamarca está prevista para a próxima semana, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Conforme publicação realizada por Trump na rede social Truth Social, o entendimento estabelece que nações adversárias de Washington não poderão manter bases, contingente militar ou realizar investimentos classificados como sensíveis no território groenlandês sem autorização dos EUA. O presidente norte-americano declarou: “Começaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar na parte apropriada da Groenlândia, que possui muitas dessas áreas”.
Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia manifestaram apoio aos termos negociados, destacando a preservação da soberania local e a ampliação da proteção regional. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, enfatizou que o pacto reforça a segurança coletiva no Ártico e no Atlântico Norte, sendo favorável à Otan e à Europa. Frederiksen declarou ainda que o texto “reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação”.
Por sua vez, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que as negociações respeitam os interesses locais e trarão benefícios a todos. O território, que conta com cerca de 57 mil habitantes e tem 80% de sua superfície coberta por gelo, possui autonomia concedida por Copenhague desde 2009, o que inclui a prerrogativa legal de deliberar sobre uma eventual independência via referendo.
Interesses estratégicos no Ártico
A região polar tem atraído atenção geopolítica crescente em razão do derretimento de geleiras decorrente do aquecimento global, fator que abre novas rotas de navegação comercial e facilita o acesso a depósitos minerais fundamentais para a transição energética. Diante desse cenário, os EUA buscam ampliar sua estrutura militar para monitorar movimentações navais e submarinas russas e conter avanços econômicos e logísticos da China, que investe em embarcações quebra-gelo para operar nas proximidades.
Apesar das aspirações de Washington para ampliar seus laços com a região — histórico que remonta à tentativa de compra da ilha por Harry Truman no pós-Segunda Guerra Mundial por US$ 100 milhões em ouro —, a possibilidade de anexação aos Estados Unidos encontra forte resistência local. Conforme pesquisa realizada no fim do ano passado, apenas 6% da população groenlandesa é favorável à incorporação definitiva ao território norte-americano.