O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a rejeição de uma proposta apresentada pelo Irã para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz no prazo de uma semana. O plano de Teerã dependia do cumprimento de exigências prévias por parte do governo norte-americano.
Segundo informações da imprensa iraniana, a iniciativa coincidiu com o encerramento da participação do presidente Masoud Pezeshkian na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), local onde ocorreram negociações indiretas entre as duas nações. Em discurso no evento, Pezeshkian respondeu a declarações anteriores de Trump sobre “aniquilar” a República Islâmica e ressaltou que o país permanece aberto a resoluções diplomáticas.
A proposta iraniana contemplava liberar o tráfego no estreito e retomar os diálogos relativos ao programa nuclear em até sete dias. Em contrapartida, Teerã solicitou a suspensão do bloqueio naval norte-americano aos seus portos, a revogação de sanções às exportações e a vigência de um cessar-fogo abrangendo também o Líbano. Trump recusou os termos e declarou que o governo iraniano apenas propôs o entendimento porque estaria “perdendo feio”.
Em entrevista a jornalistas, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, detalhou a lista com os sete requisitos estipulados para encerrar os conflitos e desobstruir a rota marítima. Entre as condições divulgadas estão a interrupção das hostilidades no Oriente Médio por sete dias, o desbloqueio de aproximadamente US$ 12 bilhões (cerca de R$ 62,1 bilhões) em ativos iranianos congelados, o fim das sanções sobre o petróleo e a desmobilização do cerco marítimo imposto pelos norte-americanos.
De acordo com o chanceler, a China apoia as exigências iranianas, e o governo de Teerã segue no aguardo de um posicionamento formal de Washington. Paralelamente às tratativas diplomáticas, a Arábia Saudita comunicou a interceptação de um novo míssil disparado a partir do Iêmen pelos Houthis, milícia apoiada pelo Irã. O trânsito de navios comerciais no Estreito de Ormuz permanece severamente reduzido desde fevereiro, após ataques conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel em território iraniano.