Em entrevista à BandNews exibida no domingo (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a instituição de um conselho para avaliar nomes antes da indicação formal à Corte.
Segundo o presidente, a prerrogativa de escolha não deve ser concentrada exclusivamente no chefe do Executivo. “Não pode ser só o presidente que indica. Temos que criar um critério para que seja alguém que passe por um crivo de um colegiado para que a pessoa não seja mais o cara indicado pelo presidente”, afirmou.
De acordo com a proposta apresentada por Lula, o colegiado reuniria juristas e representantes da sociedade civil. “Quero um cara que tenha responsabilidade com a sociedade brasileira”, acrescentou o presidente, citado no texto original como candidato à reeleição em 2026.
O chefe do Executivo também defendeu que as investigações sobre eventuais irregularidades atinjam todas as autoridades, incluindo membros do STF. “Na hora que comprovar que a pessoa cometeu erro, a pessoa tem que ser punida. Isso vale para todo mundo”, disse.
Caso Banco Master
O posicionamento surge em meio a apurações envolvendo o Banco Master e relações mantidas por Daniel Vorcaro, ex-proprietário da instituição financeira, com integrantes da Corte e seus familiares.
Conforme registros telefônicos obtidos nas investigações, Vorcaro teria consultado o ministro Alexandre de Moraes, dois dias antes de sua prisão, sobre a conveniência de deixar o país. A apuração também sustenta que o ministro participou da edição de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e a banca jurídica de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, além de registrar ao menos seis encontros entre Vorcaro e o magistrado desde 2024.
O processo aponta ainda mensagens de Vorcaro mencionando supostos repasses de R$ 500 mil a um filho do ministro Kássio Nunes Marques, bem como conversas nas quais o filho do ministro Luiz Fux tratava o empresário como “irmão”.
Durante a entrevista, Lula também comentou a menção a seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, e ao ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro nas investigações. Ao reiterar a convicção na inocência de ambos, o presidente afirmou que eles devem responder à apuração: “Meu filho está à disposição da Justiça e não fiz um único gesto, em nenhum momento, para que meu filho tivesse qualquer proteção. A proteção é a investigação. Se ele for inocente, ele é inocente.”