A circulação de conteúdos que afirmavam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, caso fosse eleito presidente, perdeu força nas redes sociais e registrou alcance inferior ao do caso Dark Horse. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo com base em levantamentos de empresas de monitoramento digital.
Segundo a consultoria Bites, as citações ao tema religioso recuaram mais de 50% entre a sexta-feira (25), data do ápice, e o domingo (27). As menções passaram de 591 mil na sexta-feira para 399 mil no sábado (26) e chegaram a 273 mil no domingo. Na tentativa de conter a controvérsia na reta final do primeiro turno contra o presidente Lula (PT), Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral e divulgou nove vídeos para desmentir o boato.
O tema foi explorado por aliados de Lula voltados ao eleitorado católico, incluindo a primeira-dama Janja, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT) e Simone Tebet (PSB). No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino revogou uma determinação anterior do ministro André Mendonça que proibia publicações sobre o episódio. Mesmo após a decisão, a Bites registrou queda de 33 mil para 20 mil postagens monitoradas entre as 14h e as 17h de domingo.
Comparativo com o caso Dark Horse
De acordo com métricas da empresa Palver, a repercussão relativa à padroeira atingiu 2.310 menções por milhão de palavras no X, o equivalente a 36,5% do pico obtido pelo áudio sobre o filme “Dark Horse”. No episódio anterior, Flávio Bolsonaro solicitava recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A diferença entre os episódios se ampliou em outras plataformas digitais. O caso Dark Horse atingiu 87,6% do teto no WhatsApp, 75,7% no TikTok e 100% no YouTube. Em contrapartida, as mensagens sobre Nossa Senhora Aparecida alcançaram 9,4% no WhatsApp e 14,6% no TikTok, além de índices de 2,1% em televisão e 2,3% em rádio.
Segundo o presidente da Palver, Felipe Bailez, o perfil mais politizado dos usuários do X propicia a ampliação de debates que não alcançam o mesmo volume em outros canais. Dados do Cetic.br apontam que 16% dos usuários de internet no Brasil acessam o X diariamente, contra 73% no Instagram e no YouTube, e 91% no WhatsApp.
Paralelamente, a procura pelo termo “Nossa Senhora Aparecida” no Google cresceu de uma média diária de 15 mil para 69 mil pesquisas na sexta-feira (25), representando um salto de 358,7%, de acordo com dados apurados pela Tunad.