O ministro Edson Fachin assumiu a análise de um desmembramento de inquérito que faz menção a magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao banqueiro Daniel Vorcaro. A medida ocorreu após a ministra Cármen Lúcia rejeitar o recebimento do caso.
O trecho da apuração envolve citações aos ministros Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux. Inicialmente, Fachin avocou o conteúdo para o seu gabinete e buscou repassar a condução para Cármen Lúcia. Conforme informou a coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, a magistrada respondeu com a frase “Deus me livre” ao ser consultada sobre assumir a relatoria. Diante da recusa dos demais colegas procurados, Fachin ficou responsável pelos encaminhamentos processuais.
Em meio às deliberações internas sobre as referências a integrantes da Corte, Cármen Lúcia procurou Moraes para prestar solidariedade em razão da exposição do caso pelos meios de comunicação.
Tensões internas no tribunal
O clima entre os integrantes do tribunal segue com atritos internos desde as divergências manifestadas sobre as investigações relacionadas a Moraes. Fachin e o ministro Flávio Dino interromperam o diálogo direto, passando a contar com a intermediação do ministro Cristiano Zanin. Paralelamente, o ministro André Mendonça restringiu a interação com colegas, evitando cumprimentos em encontros no tribunal.
Na terça-feira (29), Fachin consultou ministros a respeito do julgamento referente a conteúdos em vídeo que abordam o senador Flávio Bolsonaro e a temática da padroeira do Brasil. Diante da avaliação de que o tema no STF suscitaria acusações de favorecimento político, foi definido que o caso deveria ser remetido à Justiça Eleitoral. A decisão individual anterior sobre a retirada dos materiais havia sido tomada por Mendonça, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, concordou em pautar o assunto no tribunal eleitoral.