O Banco Central (BC) informou, em relatório de gestão divulgado nesta segunda-feira (10/08), que pretende iniciar uma etapa de internacionalização do Pix para facilitar a disponibilização de moeda local em operações originadas por remessas internacionais. O documento aponta que o órgão monitora modelos de transações transfronteiriças e avalia a interligação do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições, seja por conexões bilaterais ou hubs multilaterais.
Segundo o regulador, essa integração tem o potencial de reduzir tarifas, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência nas operações entre países. O relatório registra ainda que o impacto do Pix em empresas estrangeiras foi um dos argumentos citados pelos Estados Unidos para ampliar tarifas contra o Brasil.
Pagamentos sem conexão à internet
Entre as iniciativas planejadas para os próximos anos está a realização de transações do Pix sem necessidade de conexão à internet por parte do usuário pagador. “Por meio dessa solução, espera-se que transações Pix possam ser iniciadaspor meio de qualquer dispositivo com tecnologia NFC, o que inclui, além dos próprios telefones celulares, cartões de plástico, tags e wearables, como relógios e pulseiras”, diz o relatório.
O BC estuda também o uso do fluxo de recebimentos via Pix como garantia em operações de crédito, ajustes nos campos de mensagem das transferências e ações para incentivar o uso responsável do sistema.
Dados e recordes de 2025
De acordo com o levantamento do BC, o Pix registrou avanços expressivos em 2025. O total de transações subiu 25,7% em relação ao ano anterior, atingindo quase 80 bilhões de operações. O volume financeiro teve alta de 33,8%, ultrapassando R$ 35 trilhões.
O pico diário de movimentação ocorreu em 19 de dezembro de 2025, totalizando R$ 193,47 bilhões. Ao fim daquele ano, o sistema somava mais de 920 milhões de chaves cadastradas. Em dezembro de 2025, 148 milhões de pessoas físicas (cerca de 86% da população adulta do país) e 12 milhões de empresas realizaram ou receberam ao menos uma transação.
O relatório pondera que o perfil de uso mudou desde o lançamento: em 2020, as transferências entre pessoas físicas representavam 85% das operações, enquanto atualmente o maior volume financeiro é concentrado em transações entre empresas.
Medidas de segurança
Na área de segurança, o BC projeta a criação de um indicador de probabilidade de fraude, definição de critérios mínimos para caracterização de fraudes, melhorias no bloqueio cautelar e alertas de golpes. A instituição também planeja mapear os caminhos de dispersão de valores ilícitos, utilizar algoritmos para rastreamento e aplicar o bloqueio de recursos por bancos recebedores para análise.