Em entrevista à Rádio Acústica, de Camaquã (RS), o candidato à presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, apresentou diretrizes de seu programa de governo voltadas para segurança pública, controle fiscal e apoio ao setor agropecuário. Entre as principais metas, o candidato declarou a intenção de erguer 40 penitenciárias federais de segurança máxima e adotar ferramentas de inteligência artificial para examinar concessões tributárias no país.
Na gestão econômica, Caiado afirmou que implementará cortes no orçamento da estrutura governamental e nos repasses destinados aos poderes constituídos. Ele também pretende utilizar inteligência artificial para fiscalizar os incentivos fiscais e identificar repasses indevidos, embora não tenha detalhado quais setores serão avaliados.
“Vou fazer uma reavaliação dos incentivos fiscais no Brasil, que são concessões soldadas com dinheiro de quem paga imposto no Brasil. Vou fazer uma revisão por inteligência artificial nas pessoas que são beneficiárias para saber que tem muito ali que não merecem e estão recebendo e treinando dinheiro do governo ao invés de estarem trabalhando”, disse o político.
O candidato também prometeu trabalhar para manter a inflação entre 3,5% e 4% e reduzir a taxa básica de juros a 7%. Ele expressou críticas à reforma tributária aprovada, alegando que a medida centraliza recursos e reduz a autonomia financeira dos estados, além de prever que o atual governo instituirá alíquotas elevadas no imposto seletivo.
Segurança pública e facções
No segmento de segurança, Caiado propôs equiparar membros de organizações criminosas a terroristas. Segundo sua proposta, esses detentos deverão permanecer isolados, sem acesso a visitas íntimas e com monitoramento gravado de atendimentos com advogados.
“Vou construir 40 penitenciárias de segurança máxima no Brasil”, declarou Caiado. O projeto inclui a criação do Ministério da Segurança Pública, pasta desenhada para articular informações de inteligência da Polícia Federal, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Receita Federal com o objetivo de descapitalizar o crime organizado.
Pautas regionais e agronegócio
Ao abordar o Rio Grande do Sul, o postulante defendeu condições específicas para a renegociação do endividamento local, justificando a demanda pelo impacto recente de cinco estiagens e uma enchente. Caiado criticou a medida provisória federal voltada à região, afirmando que a iniciativa “não atende nem 20% da realidade”.
Entre as ações para o campo, ele sugeriu a estruturação de um seguro agrícola independente de outros serviços financeiros exigidos por instituições bancárias, como seguros patrimoniais ou de vida. O candidato destacou ainda o potencial produtivo de combustíveis renováveis após conhecer iniciativas de produção de etanol a partir de cereais de inverno em Passo Fundo.