Estados unidos anunciam lista de produtos brasileiros isentos de novo tarifaço

Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Documento detalha 471 itens fora da sobretaxa de 12,5%

O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, divulgou nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, uma lista de 471 produtos brasileiros que estarão isentos do novo tarifaço de 12,5% imposto sobre as importações do Brasil. A medida, que entra em vigor à 0h01 de sexta-feira, 24 de julho, no horário de Washington (1h01 no horário de Brasília), detalha as exceções em 20 grandes categorias, buscando mitigar parte do impacto da nova política comercial.

Este novo tarifaço de 12,5% é cumulativo a uma sobretaxa anterior de 25% que já havia sido implementada na quarta-feira, 22 de julho. Dessa forma, as exportações brasileiras que não constam na lista de exceções enfrentarão uma tarifa total de 37,5% ao entrar no mercado norte-americano. A imposição dessas tarifas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) tem sido justificada com base em alegações relacionadas a mecanismos de combate ao trabalho forçado, um ponto contestado veementemente pelo governo brasileiro.

A lista de exceções abrange produtos considerados estratégicos tanto para o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos quanto para o fornecimento de insumos essenciais à indústria norte-americana. Entre os itens que ficaram de fora da nova taxação estão café, madeira, petróleo, gás e fertilizantes. Além desses, diversos produtos alimentícios, como derivados do açaí e suco de laranja, também foram contemplados com a isenção, assim como defensivos agrícolas, resíduos de alumínio e equipamentos para fabricação de semicondutores.

Outros produtos importantes que não serão afetados incluem ingredientes farmacêuticos, obras de arte, antiguidades e itens de coleção, demonstrando uma abrangência que vai além de commodities e insumos industriais. Paralelamente às isenções por produto, os Estados Unidos também estabeleceram regras diferenciadas para alguns parceiros comerciais, como Argentina, Bangladesh, Camboja, Equador, El Salvador, União Europeia, Guatemala, Indonésia, Jordânia, Malásia, Suíça, Taiwan e Reino Unido, em razão de acordos comerciais específicos ou de mecanismos considerados mais robustos de combate ao trabalho forçado.

Em resposta à ofensiva comercial, o governo brasileiro, liderado pelo presidente Lula (PT), rejeitou a medida e acusou o USTR de manipular um tema sensível como os direitos humanos e a luta dos trabalhadores. O governo Lula prometeu intensificar os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levará o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A gestão brasileira reforçou que o país é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) por seu compromisso no combate ao trabalho forçado, sendo signatário de 66 convenções da OIT, em contraste com as apenas 10 ratificadas pelos Estados Unidos.

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