Governo lula reage a novo tarifaço dos eua e cita lei de reciprocidade

Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Brasil acusa eua de manipulação e promete acionar mecanismos de defesa comercial.

O governo brasileiro, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reagiu nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, à nova ofensiva comercial imposta pelos Estados Unidos. A administração federal rejeitou a aplicação de uma tarifa protecionista de 12,5% sobre produtos brasileiros, acusando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de utilizar indevidamente o tema dos direitos humanos e da luta dos trabalhadores para justificar a medida. Em resposta, o Brasil anunciou que intensificará os procedimentos para acionar a Lei de Reciprocidade e levará a questão ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A decisão dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais insere-se em um contexto de crescentes tensões comerciais, onde o governo norte-americano tem sido criticado por adotar políticas protecionistas. A nova cobrança de 12,5% é resultado de uma investigação distinta daquela que já havia levado à imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na quarta-feira, 22 de julho. Essa medida cumulativa eleva a tarifa total para 37,5% em parte das exportações brasileiras, impactando significativamente o comércio bilateral.

Em nota oficial, o governo brasileiro classificou a ação dos EUA como “completamente arbitrária e injustificada”. A acusação central é de que o USTR estaria manipulando um tema sensível, como os direitos humanos e a luta contra o trabalho forçado, para disfarçar uma política comercial protecionista. O Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, por sua vez, informou ter prestado todas as explicações necessárias e fornecido vasta documentação sobre a legislação brasileira e a atuação das autoridades aduaneiras para coibir a importação de bens produzidos sob condições de trabalho forçado.

Para reforçar sua posição, a gestão do presidente Lula destacou o reconhecimento internacional do Brasil pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em seu compromisso no combate ao trabalho forçado. O país é signatário de 66 convenções da OIT, um número significativamente superior às 10 convenções ratificadas pelos Estados Unidos. A ofensiva tarifária norte-americana não se restringe ao Brasil, atingindo um total de 60 países. Enquanto o Brasil e outros 53 países enfrentam taxas de 12,5%, nações como Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão foram alvo de tarifas de 10%.

Diante do cenário, o governo brasileiro, por meio do ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, reafirmou o compromisso de defender os interesses comerciais do país. A iminente ativação dos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e a submissão do caso à OMC indicam uma postura firme na busca por soluções para o que considera uma barreira comercial injusta. Essas ações visam proteger as exportações brasileiras e contestar a legitimidade das tarifas impostas pelos Estados Unidos, buscando reverter o impacto negativo sobre a economia nacional.

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