O governo federal acompanha com cautela a proposta dos Estados Unidos de deslocar drones militares para a América do Sul. Segundo informações divulgadas pela jornalista Débora Bergamasco, da CNN Brasil, membros da administração brasileira manifestam preocupação com a possibilidade de esses equipamentos realizarem espionagem e ultrapassarem fronteiras, violando a soberania do país.
A diplomacia nacional monitora a ampliação da atuação militar de Washington no continente e reitera a defesa da América do Sul como uma zona de paz. O alerta decorre da preparação de uma transferência de aeronaves não tripuladas modelo MQ-9 Reaper, que deixariam a África rumo ao Comando Sul dos Estados Unidos, órgão responsável pelas operações militares estadunidenses na América do Sul e em parte do Caribe.
Embora o total de unidades ainda não esteja estabelecido, fontes indicam que a movimentação pode englobar a maioria dos aparelhos atualmente alocados no Comando da África. O modelo MQ-9 Reaper tem capacidade para executar tanto missões de coleta de inteligência quanto ataques de precisão. O planejamento de Washington ainda contempla indefinições, incluindo o envio de parte das aeronaves para o Oriente Médio.
Além do uso de drones, interlocutores do Palácio do Planalto demonstram receio em relação a eventuais negociações de Washington com nações vizinhas para a condução de operações terrestres. A apreensão soma-se a avaliações prévias de auxiliares presidenciais de que o relatório de Donald Trump sobre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) poderia fundamentar intervenções armadas regionais. Até o momento, contudo, não há evidências de qualquer operação estadunidense voltada contra o território nacional.
O governo brasileiro mantém uma postura condicionada em relação ao cenário. A avaliação é de que, caso as ações norte-americanas fiquem restritas ao combate ao narcotráfico nos países que formalizarem a cooperação, a medida poderá trazer benefícios indiretos ao Brasil ao desarticular quadrilhas que atuam nas faixas de fronteira.
Não houve, até o momento, tratativas para que o Brasil solicite ou receba os drones norte-americanos. A gestão reforça a preferência por alianças militares que contemplem transferência de tecnologia, a exemplo dos acordos vigentes com a França para o desenvolvimento de submarinos e com a Suécia para a aquisição e produção de caças.