Mais da metade das propostas de presidenciáveis para a saúde já existe no SUS

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

Um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pela Umane revelou que 56% das propostas de saúde dos candidatos à Presidência da República correspondem a programas que já existem na rede pública. O estudo analisou 95 propostas apresentadas pelos seis concorrentes que registraram 2% ou mais de intenção de voto.

Segundo o boletim das organizações, 95% das iniciativas analisadas demandariam verbas adicionais e 83% dependeriam de articulação federativa com estados e municípios. Além disso, 47% das medidas não especificam formas de execução nem indicam fontes de financiamento.

“O orçamento para a Saúde já é insuficiente e o cenário pode ficar ainda mais complexo com propostas que demandam mais recursos. Nesse cenário, ainda existem candidatos que defendam o fim do piso da saúde ou discursam sobre o cortes para o setor”, afirma Julia Pereira, gerente de relações institucionais do IEPS.

De acordo com a especialista, há descompasso em relação às normas vigentes. “Existe proposta de usar o CPF como identificador no SUS, o que já está regulamentado desde 2025. Os planos demonstram um sério desconhecimento sobre as políticas de saúde já implementadas ou em curso”, declara Julia Pereira.

Gargalos e temas ausentes

O documento aponta que os planos de governo abordaram de maneira superficial ou ignoraram temas como o impacto das apostas eletrônicas, as mudanças climáticas e o ambiente digital:

  • Apostas digitais: cerca de 25 milhões de brasileiros apostaram online em 2025, com 1,4 milhão atendendo a critérios de transtorno do jogo e gerando um custo social de R$ 38,8 bilhões ao ano; os planos tratam o caso apenas sob a ótica do orçamento doméstico;
  • Eventos climáticos: 29% das unidades do SUS estão a menos de 500 metros de áreas de alto risco geológico, mas a adaptação é citada somente como pauta ambiental, desvinculada da saúde;
  • Ambiente digital: embora o ECA Digital tenha entrado em vigor em março, nenhuma proposta contempla a regulação das plataformas como proteção à saúde mental infantojuvenil.

Análise dos candidatos

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): foca na continuidade de ações da gestão atual, como PADI Brasil, PNR-SUS e Agora Tem Especialistas, além de fila única digital por risco. Não requer mudanças legislativas, mas todas as propostas pedem novos recursos;
  • Ronaldo Caiado (PSD): prevê 15 ações para 2030 com regulação de filas e linhas de cuidado para infarto, AVC e doenças raras. Reúne o maior nível de detalhamento (76%), contudo apresenta 84% de dependência de pactuação com estados;
  • Romeu Zema (Novo): estimula contratos com a rede privada e sugere flexibilizar regras da ANS para autorizar planos exclusivamente ambulatoriais. Metade das medidas não traz detalhes de execução;
  • Flávio Bolsonaro (PL): sugere prontuário pelo CPF, inteligência artificial em agendamentos e recomposição da Tabela SUS, sem apontar fonte orçamentária. As 11 iniciativas exigem ampliação de gastos;
  • Renan Santos (Missão): propõe fila por risco, integração de dados genômicos e uso do sistema salvadorenho DoctorSV. Registra os maiores entraves legais, com 71% de ações demandando alterações em leis e desvinculação do piso constitucional;
  • Augusto Cury (Avante): apresenta o projeto Tele Saúde Brasil e a replicação nacional do modelo do Hospital de Amor de Barretos. O estudo identificou que nenhuma das 10 propostas detalha a forma de execução prática e que conceitos de oncologia e saúde mental se baseiam em teorias do próprio candidato.
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