O vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2026 será anunciado nesta sexta-feira (9), em Oslo, na Noruega. De acordo com especialistas, a premiação deste ano deve contemplar uma personalidade ou entidade voltada ao reforço do multilateralismo e a novas formas de cooperação perante a fragmentação do cenário internacional.
Ao todo, o comitê organizador registrou 287 candidaturas, das quais pouco mais de um quarto corresponde a organizações. Pelo regulamento do comitê, a lista oficial de indicações permanece sob sigilo por 50 anos. Entre os cotados para a honraria, analistas apontam entidades multilaterais, grupos comunitários de ajuda humanitária e ativistas que atuam em áreas de conflito.
No campo institucional, destacam-se o Tribunal Penal Internacional (TPI), a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e a Estação Espacial Internacional (ISS), além das Salas de Resposta de Emergência do Sudão (ERRs) e da organização Save the Children. Também figura nas análises o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), sediado em Nova York, por sua atuação em defesa de profissionais de imprensa em zonas de guerra.
Entre as pessoas físicas mencionadas nas bolsas de apostas e por especialistas, constam o papa Leão XIV, o jornalista e ativista de Hong Kong Jimmy Lai, o economista uigur Ilham Tohti, a relatora especial da ONU Francesca Albanese e o ativista ucraniano Mykola Kuleba, diretor da organização Save Ukraine. Lideranças políticas como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também surgiram nas especulações.
Segundo Kristian Berg Harpviken, secretário-geral do Comitê Nobel Norueguês, o órgão acompanha as transformações geopolíticas. O porta-voz afirmou que “algumas das tendências que estamos observando internacionalmente ameaçam muitos dos valores que o Prêmio Nobel da Paz defendeu ao longo de sua história.”
Para Haakon Gjerløw, diretor do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, entidades colaborativas despontam com força nesta edição. Conforme a avaliação de Gjerløw, a Estação Espacial Internacional exemplifica um caso de cooperação científica entre diferentes nações em um período de retração multilateral.