O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu integrar três políticos nordestinos à coordenação nacional de sua campanha para tentar alterar os rumos da disputa no segundo turno da eleição presidencial. Com a mudança, o senador Camilo Santana (PT-CE) assume a coordenação política, o senador eleito Rui Costa (PT-BA) passa a responder pela agenda e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI), fica encarregado da comunicação.
A inclusão dos novos nomes tem como objetivo expandir a votação no Nordeste, onde a cúpula petista avalia haver maior potencial para reverter a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que encerrou o primeiro turno na liderança. Em diversos estados da região, o desempenho de Lula ficou abaixo do registrado em 2022.
Segundo integrantes da campanha, o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, permanece no cargo de coordenador-geral, mas passará a dividir decisões com os novos integrantes. Em plenária com parlamentares do partido, Lula expressou descontentamento com a estrutura da campanha: “Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, declarou o presidente. A transmissão em vídeo do evento foi encerrada logo após a fala.
Nos bastidores, o comando vinha sendo alvo de atritos internos. Aliados criticavam a centralização de Edinho Silva e o foco na defesa do legado do governo. Paralelamente, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, enfrentava queixas por pautar a campanha em torno de temas como soberania e terras raras, em detrimento de assuntos cotidianos do eleitorado.
Em reunião partidária, a ex-senadora Kátia Abreu também criticou a visibilidade dada à primeira-dama Janja da Silva e sugeriu maior inserção do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no núcleo decisório da campanha.
Além das alterações na coordenação, a estratégia digital foi reformulada. Lula autorizou a atuação de influenciadores e parlamentares recém-eleitos em uma estrutura no comitê do Lago Sul, em Brasília, e intensificou sua presença nas redes com vídeos gravados no celular, mensagens de áudio e discursos com ênfase na segurança pública e na crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF).