O comandante Smit Machchhar falou publicamente pela primeira vez nesta sexta-feira (2) sobre o ataque a faca que sofreu dentro da cabine de um voo da companhia aérea FlyDubai a caminho de Israel. Com a cabeça e as mãos enfaixadas, o piloto segue internado em recuperação em um hospital em Abu Dhabi.
Dois dias após o episódio, o comandante conversou com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que declarou que a nação reza por sua melhora e elogiou sua rápida reação. Machchhar relatou os momentos de tensão durante a ação do copiloto.
“Eu estava lutando pela minha vida. Mas voo há 17 anos e sou comandante há 11. Mesmo de olhos fechados, sei o que está acontecendo e sentia que o avião estava despencando. Eu disse a mim mesmo: ‘É o último esforço, Smit. A porta está logo ali’. De alguma forma, consegui abrir. Eu tentava me salvar, mas também sabia que não podia deixar ninguém morrer”, afirmou o piloto.
O comandante acrescentou que recitava uma oração hindu durante o ataque e declarou encarar o processo de recuperação como uma jornada gradual. “Vai levar tempo, mas tenho certeza de que ficarei bem”, completou.
Investigação e dados técnicos do voo
As investigações sobre o incidente continuam em andamento. Agentes de Israel participarão do interrogatório do copiloto nos Emirados Árabes Unidos com o objetivo de determinar as motivações e verificar se houve mandantes ou se ele agiu por conta própria. De acordo com informações de uma emissora de TV israelense, os indícios iniciais sugerem uma ação isolada.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o país vai apurar se o agressor atuou a mando de terceiros, afirmando que eventuais envolvidos serão punidos.
Registros técnicos revelaram que a aeronave perdeu mais de 5 mil metros de altitude em menos de 30 segundos, voltou a subir momentaneamente e tornou a descer. No instante mais crítico, a descida atingiu quase 600 km/h, ultrapassando os limites das condições operacionais normais.
Em razão do caso, a FlyDubai informou que pretende retomar os voos para Tel Aviv, mas depende de liberação do governo israelense. Paralelamente, outras companhias aéreas deram início a voos para repatriar israelenses que estão em Dubai.