PL e Novo lideram número de candidaturas ao Congresso nas eleições de 2026

Redação
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As regras eleitorais e as articulações políticas resultaram em uma concentração de candidaturas entre diferentes perfis de legendas para as eleições de 2026. O Partido Liberal (PL) lidera o volume de nomes lançados para o Congresso Nacional, seguido de perto pelo Partido Novo, legenda que atualmente possui seis parlamentares.

Segundo dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 7.991 pessoas disputam as 513 vagas da Câmara dos Deputados e as 54 cadeiras abertas no Senado. Desse montante, cerca de 2,7 mil candidaturas pertencem a legendas do chamado Centrão, com partidos como MDB e Republicanos registrando quase 500 postulantes cada.

No Senado, o PL encabeça a lista com 33 candidatos, seguido pela Unidade Popular (UP), com 23, e pelo Psol, com 21. Na sequência aparecem Democracia Cristã (DC), com 18; PSTU, com 17; PT, com 19; Novo, com 15; e PCO, com 14. Já na Câmara dos Deputados, o PL lidera com 535 candidaturas, acompanhado pelo Novo, com 505. Outras siglas de bancadas menores também registraram listas expressivas de postulantes à Câmara: PDT (471), Avante (419), DC (342), Missão (333), Psol (308), Solidariedade (265), PRD (212), Democrata (147), Mobiliza (120), Rede (113) e Agir (103).

Impacto da cláusula de barreira

De acordo com o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), o cenário reflete a necessidade de sobrevivência das legendas diante do endurecimento das regras de desempenho eleitoral. Para ter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão, a legislação exige a eleição de ao menos 11 deputados distribuídos por nove estados ou a obtenção de 2% dos votos válidos para a Câmara em nove unidades federativas, com no mínimo 1% em cada uma.

“A cláusula de desempenho, que ficou mais rígida nessa eleição, transforma cada candidatura competitiva em um ativo para a própria continuidade da representação da legenda”, afirmou Medeiros. O especialista pontuou ainda que “o endurecimento da legislação forçou que essas legendas de menor capilaridade nacional tenham mais candidaturas para arregimentar mais votos espalhados em várias regiões do país”.

Estratégias para o Senado

Em relação à disputa pelo Senado, Medeiros avaliou que a presença expressiva de partidos menores visa principalmente a compor chapas locais para governos estaduais, que exigem dois nomes ao Senado, e não necessariamente à vitória na eleição legislativa.

Por outro lado, o PL adotou o Senado como prioridade estratégica para consolidar uma bancada capaz de impulsionar pautas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O alto número de postulantes do PL em comparação ao PT também decorre da dinâmica de coligações da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Em São Paulo, por exemplo, o PT não lançou candidatura própria para apoiar Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).

“Como o PL não conseguiu firmar alianças sólidas com os partidos de centro-direita em alguns estados, o PL foi forçado também a lançar candidaturas próprias ao Senado para marcar posição. Especialmente para defender o espólio eleitoral do bolsonarismo”, explicou Medeiros.

Menor número de candidaturas em 20 anos

O total de 7.991 candidatos ao Congresso representa uma queda de 26,5% na comparação com os 10.873 registros computados em 2022. Considerando todos os cargos em disputa, o TSE contabilizou 20.621 registros em 2026, marcando o menor índice desde 2006.

A redução está associada à formação de cinco federações partidárias (União Brasil-PP, PT-PCdoB-PV, PRD-Solidariedade, PSDB-Cidadania e Psol-Rede), ao retorno do teto de registro de candidaturas correspondente a 100% das vagas mais uma e à exigência da cota mínima de 30% de candidaturas femininas.

“É extremamente alta ainda a dificuldade para atrair as mulheres para os partidos. Isso é um problema de base, da formação política”, destacou Medeiros, acrescentando que “os partidos investem muito pouco na formação política do público feminino e deixam para procurar recrutar as candidatas apenas no período eleitoral”.

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