A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável pela formulação do plano econômico da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, detalhou nesta sexta-feira as diretrizes do programa. As prioridades incluem o ajuste das contas públicas por meio do enxugamento da máquina federal, redução do número de ministérios, combate a supersalários e a rejeição ao encerramento da escala de trabalho 6×1.
As declarações ocorreram durante o 25° Fórum Empresarial Lide, realizado no Rio de Janeiro. Segundo a executiva, a meta para um eventual governo é diminuir a estrutura ministerial atual, superior a 30 pastas, para um intervalo entre 20 e 25 ministérios, além de ampliar a digitalização dos serviços públicos e reavaliar a permanência de estatais e ativos sob controle estatal.
Ao abordar a proposta de emenda à Constituição (PEC) apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir o limite de trabalho de 44 para 40 horas semanais com dois dias de folga, Daniella classificou o debate como “populista” e “inócuo”. A economista defendeu a desregulamentação para que empregados e empregadores negociem diretamente suas jornadas.
“O problema não é a 6×1. O problema é a falta de liberdade do cidadão para discutir o seu contrato com o empregador, sem o Estado interferir. Então, somos a favor da liberdade e da ampliação dessa liberdade”, afirmou Daniella durante o encontro empresarial.
Em termos fiscais, a equipe econômica prevê articular uma PEC logo após o pleito, durante o período de transição, para permitir a redução de taxas de juros já em 2027. O texto proposto deve criar um “Conselho da República”, reunindo representantes dos três Poderes para debater a limitação de emendas parlamentares e a extinção de supersalários, especialmente no Poder Judiciário.
Questionada sobre eventuais alterações em despesas obrigatórias, tais como a fórmula de correção do salário mínimo e a estabilidade do funcionalismo público, a coordenadora afirmou que a definição caberá à esfera política, enfatizando que cortes em privilégios e desperdícios governamentais devem preceder qualquer ajuste voltado à população em geral.