Politização no Itamaraty e tensão com os EUA geram divergências na diplomacia

Redação
Colunista
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Ana de Oliveira/AIG-MRE

A diplomacia brasileira vive um debate interno motivado pelas recentes negativas de vistos a integrantes do governo dos Estados Unidos e por declarações de defesa da soberania nacional. Segundo relatos de diplomatas à CNN, a postura do Ministério das Relações Exteriores reflete um patamar atípico de hostilidade no relacionamento entre Brasília e Washington.

De acordo com interlocutores do setor diplomático, os Estados Unidos mantêm historicamente uma postura intervencionista na América Latina, citando declarações abertas de Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio. A principal alteração apontada recai sobre a reação brasileira, que trocou a atitude pragmática do passado por uma atuação vista como mais ativa por parte de alguns integrantes da diplomacia.

Em relação ao atraso na concessão do agrément para Daniel Perez — indicado por Trump para assumir a Embaixada americana no Brasil —, fontes do Itamaraty afirmam que o governo dos EUA retomou uma postura “de ingerência e tentativa de intimidação”. Interlocutores da pasta afirmam que cabe ao povo brasileiro definir a soberania do país diante de pressões externas.

Histórico de recusa de vistos

As mudanças na atuação do Itamaraty incluem casos recentes de restrição de entrada de autoridades americanas no país. Em março de 2026, o Brasil revogou o visto diplomático de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos EUA. O órgão brasileiro alegou omissão e falseamento de informações sobre o objetivo da viagem, que incluía uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, não comunicada previamente.

Posteriormente, o governo brasileiro negou vistos a Riley Barnes e Samuel Samson, secretários-assistentes no Departamento de Estado americano. A viagem prevista para o final de julho coincidia com a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as autoridades viajariam “para se meter na eleição brasileira”. O Departamento de Estado negou a intenção e declarou tratar-se de uma missão oficial de rotina sobre direitos humanos e democracia.

diplomatas ressaltam também que os Estados Unidos descumpriram a praxe diplomática ao divulgar publicamente a indicação de Daniel Perez antes da resposta formal do governo brasileiro, além de considerarem exagerada a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti.

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