Presidente americano considera encontro com os líderes da Rússia e da China para discutir armas nucleares, comércio e segurança internacional. Possibilidade de negociações entre as potências provoca preocupação entre aliados europeus.
A diplomacia internacional entrou em uma nova fase nesta semana depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a possibilidade de realizar uma reunião conjunta com Vladimir Putin, da Rússia, e Xi Jinping, da China.
A proposta, mencionada na segunda-feira (19), envolve a realização de conversas entre os três líderes durante um encontro internacional previsto para novembro, em território chinês.
O principal assunto anunciado por Trump seria o controle de armas nucleares. Entretanto, o presidente americano também reconheceu que questões comerciais e outros conflitos internacionais poderiam entrar na discussão.
A possibilidade de um encontro envolvendo simultaneamente os três governos chama atenção porque Estados Unidos, Rússia e China concentram grande parte do poder militar, industrial e tecnológico do planeta.
Até agora, os três presidentes realizaram encontros bilaterais, mas não participaram de uma negociação formal conjunta nesse formato.
Trump afirmou estar disposto a discutir a redução de armamentos nucleares, um assunto que ganhou importância depois do encerramento do tratado New START, que limitava determinadas categorias de armas estratégicas dos Estados Unidos e da Rússia.
A China, entretanto, demonstra resistência à proposta de participar de negociações de desarmamento nos mesmos termos.
Pequim argumenta que seu arsenal nuclear é significativamente menor que os mantidos por Washington e Moscou e considera inadequado exigir compromissos equivalentes neste momento.
A reunião ainda não foi formalmente confirmada pelas três capitais.
O interesse de Trump ocorre paralelamente a uma mudança nas relações entre Estados Unidos e Rússia.
Nos últimos dias, o governo americano flexibilizou determinadas sanções relacionadas ao setor energético russo e participou de negociações para ampliar o comércio de combustíveis.
A decisão provocou críticas da Ucrânia, que considera a pressão econômica sobre Moscou uma ferramenta importante para reduzir a capacidade russa de financiar a guerra.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também demonstrou preocupação com declarações de Trump sobre quem deveria participar das negociações de paz.
Ao comentar a possibilidade da reunião com Putin e Xi, o presidente americano sugeriu que o encontro não teria a Ucrânia como objetivo principal e voltou a criticar a postura de Zelensky.
A declaração levanta uma questão fundamental: até que ponto as grandes potências podem discutir os termos de um conflito sem a participação direta do país invadido?
A Ucrânia defende que qualquer acordo sobre seu território e sua segurança precisa contar com representação de Kiev.
Os países europeus também acompanham as negociações com preocupação, especialmente diante da dependência ucraniana de equipamentos militares e informações de inteligência fornecidos por aliados.
Nesta terça-feira (20), o enviado especial americano Steve Witkoff participou de negociações com Zelensky e líderes europeus em Oslo. O representante deverá levar pontos discutidos à Rússia em uma nova etapa diplomática.
As conversas abordaram garantias de segurança e alternativas para reduzir os confrontos, mas não resultaram em um acordo de paz.
Enquanto isso, ataques russos continuam atingindo cidades e estruturas energéticas ucranianas.
A eventual reunião entre Trump, Putin e Xi também teria consequências para outros países.
Decisões sobre comércio, tecnologia, energia e segurança internacional influenciam cadeias produtivas e preços de produtos comercializados mundialmente.
Para o Brasil, as relações entre as três potências afetam especialmente exportações, combustíveis, fertilizantes e o acesso a tecnologias industriais.
A diplomacia brasileira mantém relações econômicas relevantes com Estados Unidos e China, além de participar de fóruns internacionais dos quais a Rússia também faz parte.
Ainda não existe confirmação de que os três presidentes chegarão a um acordo ou sequer realizarão a reunião proposta.
O fato novo é que Washington considera uma negociação conjunta sobre temas estratégicos que podem alterar o equilíbrio internacional.
A principal questão será saber se esse diálogo contribuirá para reduzir tensões ou se produzirá novas disputas sobre a participação de outros países nas decisões que afetam sua segurança.