O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve ser laureado com o Nobel da Paz deste ano devido à manutenção do país em conflito contra o Irã. Apesar disso, analistas ouvidos pela agência Reuters afirmam que a influência do líder americano deve impactar a decisão do comitê responsável pela escolha.
A edição de 2025, concedida à opositora venezuelana María Corina Machado, ocorreu após intensa campanha de Trump e culminou na entrega da medalha do prêmio ao presidente americano, que classificou o item como um presente. Segundo Haakon Gjerloew, diretor interino do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, o comitê de cinco membros avaliará os reflexos dessa repercussão e a possibilidade de o novo contemplado sofrer pressões políticas.
“Os acontecimentos do ano passado em torno do Nobel da Paz, com María Corina Machado entregando o prêmio posteriormente a Trump, vão afetar algumas das considerações que eles farão”, disse Gjerloew à Reuters, destacando que as chances de Trump são “bastante baixas”, embora tenha recebido indicações de líderes de Israel, Camboja e Paquistão.
Entre os nomes cotados para a premiação, cujo anúncio está previsto para sexta-feira (9), figuram o papa Leão XIV, o Tribunal Penal Internacional (TPI), a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados. O pontífice, primeiro papa norte-americano, foi chamado de “fraco” por Trump após criticar a guerra contra o Irã, mas é apontado por sua atuação humanitária e reflexões sobre inteligência artificial.
Especialistas ponderam ainda que o comitê pode optar por alternativas menos propensas a atritos diretos com Washington, como as Salas de Resposta de Emergência do Sudão ou a organização Save the Children. Por outro lado, o historiador Oeivind Stenersen ressalta que há demanda por um posicionamento institucional firme em defesa do direito internacional e dos direitos humanos frente aos questionamentos feitos por Trump à ordem global.