Candidatos influenciadores superam celebridades tradicionais na disputa para a Câmara

Redação
Colunista
3 leitura mínima
Créditos/Reprodução Internet

Nas eleições de 2026 para a Câmara dos Deputados, candidatos classificados como influenciadores políticos superaram celebridades tradicionais da televisão, do esporte e do entretenimento. Enquanto a maioria das figuras públicas já consagradas fora da política não obteve êxito eleitoral, perfis que consolidaram sua projeção nas plataformas digitais alcançaram expressivas votações.

Candidatos como Silvia Abravanel (PSD-SP), Val Marchiori (Republicanos-SP), o ex-jogador Luiz Fabiano (MDB-SP) e Manoel Gomes (Avante-SP) não conseguiram vagas entre as 513 cadeiras da Casa. O deputado federal Tiririca (PSD-CE), que já havia registrado 1,3 milhão de votos em sua estreia e exercia mandato havia 14 anos, também não se reelegeu.

Em contraste, Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP) figuraram entre os concorrentes mais votados do país para o cargo, somando 7.754.228 votos. Os três nomes utilizaram a expressiva base de seguidores construída previamente nas redes sociais como capital político.

Outro destaque nas urnas foi Ana Elisa (PT-MG), influenciadora de 20 anos que obteve mais de 500 mil votos e se tornou a deputada federal mais jovem eleita por Minas Gerais.

Novo perfil de puxadores de votos

A mudança no perfil dos eleitos também repercutiu na função de puxador de votos. Nikolas Ferreira alcançou 3,1 milhões de sufrágios em Minas Gerais, correspondendo a 67,6% da votação da legenda no estado e ajudando a eleger outros 13 parlamentares do partido. Lucas Pavanato somou cerca de 3 milhões de votos em São Paulo, colaborando para a vitória de sete correligionários, enquanto Erika Hilton registrou 1,6 milhão de votos, auxiliando na conquista de outras três cadeiras.

Segundo análises acadêmicas e dados do processo eleitoral, o cenário difere de 2010, quando a votação expressiva de Tiririca impulsionou outros postulantes e consolidou o chamado “Efeito Tiririca”. Desde então, alterações legislativas — como o fim das coligações proporcionais e a exigência de votação nominal mínima individual — modificaram a dinâmica partidária, embora a relevância de nomes de grande alcance tenha se mantido.

Conforme explicou a professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) Issaaf Karhawi, a comunicação horizontal das plataformas online permite uma identificação contínua com a audiência e difere da visibilidade obtida por celebridades por meio da mídia tradicional.

Compartilhe este artigo