O presidente da China, Xi Jinping, desembarca nos Estados Unidos para uma reunião com o presidente norte-americano, Donald Trump. O encontro oficial tem como temas centrais o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) e o comércio de armamentos dos EUA com Taiwan.
Xi chega à Base Aérea Andrews, onde é recebido por Trump. A reunião bilateral está marcada para a Casa Branca na quinta-feira (24). A programação oficial termina na sexta-feira (25) com uma cerimônia do chá promovida por Melania Trump e uma visita ao Arquivo Nacional, antes do retorno do mandatário chinês a Pequim.
Disputa e cooperação em inteligência artificial
A área de inteligência artificial consolidou-se como um dos principais pontos de atrito entre Washington e Pequim. Trump tem defendido a liderança norte-americana no setor, declarando que não pretende restringir um avanço que considera superior à Revolução Industrial e à própria internet.
No lado chinês, o chefe do Ministério da Segurança do Estado, Chen Yixin, alertou publicamente que capacidades superiores controladas por forças estrangeiras hostis configuram uma ameaça direta à liderança do Partido Comunista. Os EUA mantêm restrições à exportação de chips avançados para o mercado chinês e acusam companhias locais de destilação de modelos americanos. A China contesta a alegação, afirma que a técnica é amplamente usada inclusive por companhias dos EUA e critica tentativas de monopólio.
Apesar das tensões, os dois governos iniciaram tratativas de cooperação. De acordo com o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, Washington sugeriu a criação de um canal de notificação para ocorrências de IA que interfiram na segurança nacional. A declaração foi feita após diálogo com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Nova York.
“Acreditamos que, assim como em qualquer atividade transfronteiriça, passar da opacidade para uma maior transparência entre a primeira e a segunda maiores potências de IA do mundo é muito importante”, disse Bessent.
Tensões militares envolvendo Taiwan
Segundo informações apuradas pela agência Reuters, Xi Jinping deve pressionar Trump a interromper o fornecimento militar a Taiwan, recorrendo ao terceiro comunicado conjunto assinado entre os países em 1982. Na ocasião, Washington indicou a intenção de diminuir gradualmente o envio de equipamentos bélicos, enquanto um anexo assinado pelo então presidente Ronald Reagan condicionou tal redução à solução pacífica das discordâncias bilaterais.
Os Estados Unidos mantêm obrigação jurídica de fornecer recursos de autodefesa a Taiwan. Pequim considera o território parte integrante de seu espaço soberano e ampliou manobras militares ao redor da ilha nos últimos cinco anos. O governo de Taiwan rechaça as pretensões territoriais chinesas e informou manter interlocução frequente com as autoridades americanas.
De acordo com um funcionário da Casa Branca, Trump pretende deliberar em curto prazo a respeito de uma nova remessa de armas para Taiwan. O Ministério das Relações Exteriores da China não se manifestou sobre a pauta.