A possibilidade de o Brasil aplicar a chamada Lei da
Reciprocidade como resposta às tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos
sobre produtos brasileiros tem ganhado espaço no debate político. No entanto, a
avaliação predominante entre especialistas e representantes do setor produtivo
é que uma retaliação comercial direta dificilmente será adotada neste momento.
A percepção é de que a medida tem sido utilizada
principalmente como um instrumento de pressão política e diplomática, enquanto
o governo concentra esforços em alternativas para reduzir os prejuízos causados
pelas novas barreiras comerciais americanas.
Setores
pressionam por medidas de apoio
O impacto das tarifas já mobiliza diversos segmentos da
economia brasileira. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
aponta que aproximadamente 4 mil produtos brasileiros foram atingidos pelas
sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a ampliação da lista de exceções contemplou
cerca de 429 setores, reduzindo parcialmente os efeitos da medida. A
expectativa agora é que empresas e entidades representativas intensifiquem as
negociações para ampliar essa lista ou obter linhas de apoio financeiro do
governo federal.
Exceções
reduzem perdas, mas prejuízo continua elevado
Segundo estimativas da CNI, a ampliação das exceções pode
evitar perdas de até US$ 2,3 bilhões para a economia brasileira.
Mesmo assim, os prejuízos acumulados desde a primeira rodada
de sobretaxas, iniciada com a tarifa de 10%, já chegam a aproximadamente US$ 7
bilhões.
O Palácio do Planalto também trabalha com projeções
negativas para os produtos que permaneceram fora das exceções, estimando perdas
entre R$ 5 bilhões e R$ 7 bilhões.
Madeira e
minerais estão entre os setores mais afetados
Entre os segmentos com maior risco estão a indústria
madeireira e o setor de minerais não metálicos.
As exportações de produtos de madeira, como molduras, portas
e outros itens utilizados na construção civil, podem sofrer redução de até 83%.
Já o segmento de minerais não metálicos, que engloba
produtos como granito, azulejos, tijolos, telhas, lajes e materiais de
pavimentação, pode registrar queda de aproximadamente 56% nas vendas para o
mercado americano.
Como muitos desses produtos são considerados importantes
para a cadeia da construção civil dos Estados Unidos, representantes desses
setores defendem sua inclusão em futuras listas de exceção.
Governo
prioriza novos mercados e apoio às empresas
Enquanto a possibilidade de uma retaliação comercial
permanece em discussão, o governo brasileiro tem direcionado seus esforços para
minimizar os impactos econômicos.
As principais frentes incluem a busca por recursos para
apoiar empresas exportadoras, apesar das limitações orçamentárias, além da
abertura de novos mercados internacionais para reduzir a dependência das
exportações destinadas aos Estados Unidos.
Nesse cenário, a tendência é que a Lei da Reciprocidade
permaneça, ao menos por enquanto, como um instrumento de pressão política,
enquanto as ações práticas do governo se concentram em medidas econômicas e
diplomáticas voltadas à preservação das exportações brasileiras.