O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um cenário desafiador na distribuição do tempo de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão. Caso mantenha apenas o apoio do Partido Liberal (PL) à sua pré-candidatura presidencial, o parlamentar terá 20% menos espaço de mídia do que o presidente Lula (PT). Diante dessa desvantagem, Flávio Bolsonaro intensifica as negociações em busca de uma aliança estratégica com o Republicanos, visando reverter o quadro e fortalecer sua presença no horário eleitoral.
A composição atual das federações e partidos que apoiam a pré-candidatura de Lula, incluindo PT/PV/PCdoB, PSOL/Rede, PDT e PSB, projeta para o petista um tempo de 5 minutos e 32 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos do horário eleitoral. Em contraste, Flávio Bolsonaro, com o apoio exclusivo do PL, teria 4 minutos e 20 segundos. A relevância da propaganda em TV aberta é notável, especialmente por sua capacidade de alcançar o eleitorado de menor renda, segmento no qual Lula lidera Flávio Bolsonaro por 53% a 38% em um eventual segundo turno, conforme pesquisa Datafolha de 17 e 18 de junho.
A concretização de um acordo com o Republicanos poderia alterar significativamente essa dinâmica. Se a aliança for firmada, Flávio Bolsonaro passaria a ter uma leve vantagem sobre Lula, com 5 minutos e 16 segundos de tempo de TV, contra 4 minutos e 51 segundos do atual presidente. As negociações entre PL e Republicanos envolvem complexos acordos estaduais, com avanços em tratativas para apoiar candidatos do Republicanos ao governo do Espírito Santo e a expectativa pela decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre sua candidatura ao governo de Minas Gerais.
Contudo, existem impasses em outras unidades da Federação, como no Acre, onde o PL avalia o apoio entre a governadora Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (Republicanos), e em Mato Grosso, onde o senador Wellington Fagundes (PL) disputará contra o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Além disso, a possibilidade de entregar a vaga de vice na chapa ao Republicanos está em discussão, embora a preferência de Flávio Bolsonaro pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques não seja o nome favorito do partido. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, indicou que consultará os diretórios estaduais e pretende tomar uma decisão até 5 de agosto.
A busca por alianças de Flávio Bolsonaro foi impactada por eventos anteriores, como o caso envolvendo o filme “Dark Horse”, que narra a eleição de Jair Bolsonaro (PL). A revelação de que Flávio Bolsonaro solicitou recursos a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para custear a produção, afastou partidos como União Brasil e PP, que eram prioridades para a pré-campanha. Uma pesquisa encomendada pelo Republicanos, conforme nota de Marcos Pereira, detectou um “sentimento de frustração à pré-candidatura de Flávio e uma indicação de preferência pela neutralidade nestas eleições”, refletindo o ambiente pós-incidente. A regra de distribuição do tempo eleitoral reserva 10% igualmente aos candidatos com partidos aptos e distribui os 90% restantes conforme as bancadas eleitas para a Câmara em 2022, enquanto no segundo turno os dois finalistas dividem o horário em partes iguais.