Concessão de green card a Eduardo Bolsonaro nos EUA gera questionamentos sobre rapidez

Redação
Colunista
4 leitura mínima
Créditos: Foto/Divulgação

Documento foi concedido em tempo incomum, dizem especialistas

A concessão do green card ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo governo de Donald Trump, anunciada nesta segunda-feira (20), gerou questionamentos devido à sua rapidez. O documento, que permite ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro viver nos Estados Unidos por tempo indeterminado e trabalhar ou estudar sem autorizações especiais, foi aprovado em um período que especialistas consideram incomum para processos migratórios que frequentemente se estendem por anos. O pedido, segundo aliados, teria sido feito há mais de um ano, com a aprovação ocorrendo neste mês.

A situação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos teve início em fevereiro do ano passado, quando ele ingressou no país com um visto de turista, que geralmente permite uma permanência de cerca de seis meses. Naquela ocasião, o político alegava sofrer supostas perseguições por parte do Judiciário brasileiro e manifestava a intenção de solicitar asilo político ao governo Trump. Essa via é uma das formas que podem levar à residência permanente e seria uma maneira de contornar as limitações impostas pelo visto de turista.

Especialistas em imigração, consultados sobre o tema, afirmam que o tempo de processamento para a obtenção do green card pode variar significativamente. Fatores como o tipo de pedido, o país de origem do solicitante, a disponibilidade de vistos e a necessidade de análises adicionais de segurança influenciam diretamente a duração do processo. O USCIS, órgão de cidadania e imigração dos Estados Unidos, indica que alguns processos podem ser concluídos em aproximadamente um ano, enquanto outros podem se estender por mais de cinco ou até dez anos. A categoria migratória específica utilizada por Eduardo Bolsonaro para sua solicitação não foi divulgada publicamente.

Um aliado da família, Paulo Figueiredo, informou que o pedido de Eduardo Bolsonaro foi realizado há mais de um ano e que o visto foi emitido neste mês, após a comprovação dos requisitos exigidos. Enquanto estava nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro enfrentou desdobramentos em sua carreira política no Brasil. Ele perdeu seu mandato parlamentar por acúmulo de faltas e também o cargo público de escrivão da Polícia Federal. Além disso, no mês passado, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou por coagir magistrados e articular sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro, em uma acusação relacionada à tentativa de inviabilizar o julgamento da trama golpista que resultou na pena de 27 anos de prisão para Jair Bolsonaro.

A concessão do green card a Eduardo Bolsonaro ocorre em um período de endurecimento da política migratória do segundo governo Trump. Nos últimos meses, Washington implementou mudanças que aumentaram a incerteza para estrangeiros que buscam residência permanente, incluindo cidadãos brasileiros. Em maio, por exemplo, o governo Trump restringiu o procedimento conhecido como “adjustment of status”, que permitia a determinados estrangeiros solicitar o green card sem precisar deixar os Estados Unidos. Com a alteração, muitos candidatos passaram a ser obrigados a retornar ao seu país de origem para concluir o processo em consulados americanos. No início do ano, a administração também tentou revogar o direito à cidadania por nascimento, mas a medida foi considerada inconstitucional pela Suprema Corte americana em junho.

Compartilhe este artigo