O Ministério das Relações Exteriores da China declarou que autoridades do Japão devem “parar de brincar com fogo” em relação à hipótese de os Estados Unidos instalarem armas nucleares no território japonês. A manifestação foi feita na sexta-feira (09) por Lin Jian, um dos porta-vozes do órgão diplomático chinês, segundo informações divulgadas pela agência estatal de notícias Xinhua.
A fala do porta-voz ocorreu em resposta a um levantamento recente da Associação Japonesa de Pesquisa de Opinião Pública (Japor). A pesquisa avaliou a percepção dos cidadãos japoneses sobre os Três Princípios Não Nucleares do país — diretrizes que proíbem o Japão de possuir, fabricar ou permitir a introdução de artefatos nucleares em seu solo.
De acordo com os dados apresentados pela Japor, 76% da população japonesa apoia a manutenção desses três princípios, e 77% dos entrevistados posicionam-se contra a ausência de compartilhamento nuclear com os EUA. Com base no estudo, Lin Jian afirmou que a ampla adesão popular demonstra oposição às propostas de revisão da estratégia de defesa nacional feitas pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, além de evidenciar a valorização do estado de paz por parte dos cidadãos.
A discussão acerca da política antinuclear foi reaberta diante do fortalecimento militar de nações vizinhas, como China e Coreia do Norte, e das incertezas regionais envolvendo a atuação norte-americana. Durante a cerimônia do 81º aniversário do bombardeio atômico de Nagasaki, realizada em Hiroshima na quinta-feira (06), Takaichi foi questionada se pretende alterar a política antinuclear. Ao responder, a primeira-ministra afirmou que o Japão segue os três princípios, mas não esclareceu se pretende mantê-los.
Os Três Princípios Não Nucleares foram propostos em 1967 pelo então primeiro-ministro Eisaku Satō e aprovados formalmente pelo parlamento em 1971. As medidas fundamentam a postura pacifista adotada pelo Japão no pós-guerra e refletem os traumas dos ataques sofridos em Hiroshima e Nagasaki em 1945.
O porta-voz chinês argumentou que as lições decorrentes do histórico de agressão do militarismo japonês devem servir como um alarme permanente. Ele destacou ainda que é necessário que o Japão atenda às preocupações da comunidade internacional e cumpra suas obrigações relativas à não proliferação nuclear.