A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) anunciou, em vídeo divulgado em suas redes sociais na quinta-feira, 23 de julho de 2026, que aceitou o pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro (PL). Com a reconciliação, Michelle indicou que irá trabalhar ativamente pela eleição do enteado à Presidência da República, marcando um novo capítulo na relação política da família. O posicionamento foi feito em meio a articulações políticas em Brasília.
A declaração de Michelle Bolsonaro ocorre após um período de rompimento público entre ela e o senador. Anteriormente, Michelle havia criticado Flávio, alegando ter sido desrespeitada e maltratada, e que ele não desejava seu apoio na campanha. Segundo ela, Flávio a criticou nas redes sociais antes de procurá-la e, ao retornar uma ligação, agiu de forma ríspida, sugerindo que ela deveria se manter afastada das decisões partidárias por não entender de política. Em resposta inicial, Flávio negou ter humilhado a ex-primeira-dama, mas pediu desculpas por qualquer desconforto causado.
A reconciliação entre Flávio e Michelle foi resultado de semanas de articulação, liderada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e pelas amigas da ex-primeira-dama, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão (PP-DF), a quem Michelle agradeceu publicamente. Valdemar Costa Neto havia expressado preocupação, afirmando que a desavença estava “atrapalhando muito a campanha” de Flávio e dificultando a busca por coligações com siglas aliadas, o que gerava falta de confiança na direita desunida.
A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta desafios significativos, com o senador permanecendo isolado e sob críticas do Centrão por suposto favorecimento à família e inabilidade política. Nesta semana, o presidente do PP, Ciro Nogueira, informou que a federação União Brasil-PP manterá neutralidade na eleição presidencial, embora Flávio ainda espere atrair formalmente o Republicanos. Para contornar a rejeição no eleitorado feminino, Flávio tem buscado uma vice mulher e divulgado um plano de propostas voltadas para elas. Com a trégua, aliados de Michelle esperam convencê-la a disputar o Senado pelo Distrito Federal, com o argumento de fortalecer a bancada de defesa de crianças e pessoas com deficiência, além de cessar os ataques da direita contra ela.
Apesar da reconciliação, Michelle Bolsonaro não comparecerá à convenção do PL, marcada para sábado (25) em São Paulo, que oficializará a candidatura de Flávio à Presidência. A ausência é justificada pela necessidade de cuidar de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe e está impedido de receber visitas do filho por 90 dias, conforme determinação judicial. No entanto, há a expectativa de que um vídeo de Michelle seja exibido durante o evento, reforçando o apoio e a união da família e do partido na corrida eleitoral.