O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chegou nesta terça-feira (28) à Casa Branca para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A visita ocorre em um momento crucial das negociações sobre a guerra na Ucrânia. No mesmo dia, Trump também se reunirá separadamente com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para abordar as complexas questões dos conflitos no Oriente Médio.
Segundo informações da Casa Branca, a agenda de Trump com Zelensky incluirá a discussão de novas propostas para um cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia, buscando avanços em um conflito que se estende. Já com Netanyahu, os temas centrais serão a guerra na Faixa de Gaza, a situação regional após o recente conflito com o Irã e a persistente presença militar israelense em Gaza, no Líbano e na Síria, refletindo as divergências entre Washington e Tel Aviv.
A reunião com Benjamin Netanyahu acontece em meio a sinais de desgaste na relação entre os dois líderes, que, apesar de uma aliança historicamente próxima e seis encontros desde o retorno de Trump à Casa Branca, têm demonstrado divergências nos últimos meses. O principal ponto de atrito reside na condução da guerra contra o Irã e na estratégia americana para reduzir as tensões regionais, especialmente a pressão dos EUA para que Israel diminua sua presença militar em áreas conflagradas. Netanyahu, por sua vez, reitera que não pretende retirar as tropas enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado, apesar da aprovação de uma força internacional de estabilização para uma zona humanitária em Rafah.
Paralelamente, o encontro entre Trump e Zelensky foca na busca por uma nova proposta de cessar-fogo a ser apresentada à Rússia, com o objetivo de retomar negociações de paz que foram anteriormente rejeitadas por Moscou. A Ucrânia enfrenta atualmente uma escassez crítica de mísseis Patriot, essenciais para sua defesa aérea contra mísseis balísticos russos. Parte desses estoques americanos foi utilizada durante o conflito entre Israel e Irã, impactando a disponibilidade para Kiev. Em resposta, Trump anunciou, em uma recente reunião da Otan, a intenção de conceder à Ucrânia uma licença para produzir localmente esses armamentos, além de compartilhar a tecnologia necessária.
Além do apoio dos Estados Unidos, a Ucrânia também contará com o sistema britânico de guerra eletrônica “Stone Cloak”, cuja tecnologia será compartilhada para produção em larga escala, visando dificultar a detecção de drones ucranianos pelas defesas russas. Enquanto isso, no Oriente Médio, a guerra em Gaza, iniciada em outubro de 2023, prossegue sem um acordo definitivo de cessar-fogo, e as divergências sobre a estratégia para o programa nuclear do Irã persistem, com Trump defendendo uma solução negociada e Netanyahu mantendo a pressão militar. As reuniões desta terça-feira são, portanto, cruciais para a diplomacia global e para a busca de soluções em dois dos mais complexos cenários de conflito atuais.