A decisão dos partidos Progressistas, União Brasil e Republicanos de manter neutralidade na corrida presidencial de 2026 restringe as alternativas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na formação de sua chapa e amplia a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no tempo de propaganda eleitoral gratuita, segundo apuração da colunista Daniela Lima, do portal UOL.
As três legendas fizeram parte da base de sustentação do governo de Jair Bolsonaro. Com a declaração de neutralidade, o Partido Liberal (PL) fica com menos opções para a indicação do candidato a vice-presidente, além de não receber diretamente o tempo de rádio e televisão dessas agremiações.
Segundo as regras de distribuição do horário eleitoral, o tempo reservado ao Progressistas, União Brasil e Republicanos será dividido proporcionalmente entre as legendas que apresentarem candidatos ao Palácio do Planalto, conforme o tamanho de suas bancadas. Como Lula reúne o apoio de legendas como o PSB além do PT, a expectativa é que ele obtenha maior espaço de exibição na campanha em comparação ao senador.
Dirigentes dos partidos de centro relataram desgaste nas relações com a família Bolsonaro, apontando episódios de distanciamento e críticas públicas contra antigos aliados. Um dirigente declarou: “Não nos escutam, não nos consultam, nunca fizeram nada por ninguém que não fosse 200% alinhado. Deixe que façam como quiserem”.
Atritos e movimentações regionais
O presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), tornou-se centro de tensões após Flávio Bolsonaro buscar se distanciar dele na sequência de uma operação de busca e apreensão ligada ao caso Master, atitude avaliada por aliados como desleal. Anteriormente, o deputado Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para criticar Ciro por declarações sobre ações nos Estados Unidos que resultaram em tarifas a produtos brasileiros, afirmando que o senador defendia interesses pessoais.
Em paralelo, Lula manteve contatos com lideranças políticas como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira e o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O atual presidente também indicou aceno de trégua eleitoral a Ciro Nogueira, que buscará novo mandato no Senado pelo Piauí, estado onde o petista registrou cerca de 77% dos votos válidos no segundo turno de 2022.
No União Brasil, os atritos se intensificaram após a família Bolsonaro retirar apoio a um pré-candidato da sigla ao Senado no Rio de Janeiro devido a uma operação da Polícia Federal. Já no Republicanos, a opção pela neutralidade foi aprovada por 17 diretórios em consulta interna e repassada ao PL sem reações para tentar reverter a decisão.