O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados a intenção de conversar por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana. A iniciativa ocorre em meio a um desgaste diplomático motivado pela imposição de tarifas a produtos brasileiros e pela revogação temporária do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
A intenção do diálogo foi mencionada por Lula durante reunião com parlamentares do PSOL e da Rede realizada na quinta-feira (6). De acordo com aliados do governo, a expectativa é que a conversa ajude a amenizar a tensão entre Brasília e Washington, embora ainda não haja uma data confirmada para a ligação. Na mesma ocasião, o presidente brasileiro defendeu o fim da guerra na Ucrânia e criticou a atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) no conflito.
Durante o eventual telefonema, o chefe do Executivo brasileiro pretende abordar diretamente o aumento tarifário promovido pela gestão americana. O Palácio do Planalto contesta a medida e busca revertê-la por meio de negociações diplomáticas. Em paralelo, o governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a nova rodada de tarifas, com o objetivo de conter os impactos sobre o setor exportador nacional.
Outro ponto em pauta é a situação de Maria Luiza Viotti. Na terça-feira (5), os Estados Unidos anunciaram a revogação temporária do visto da embaixadora. Segundo um porta-voz do Departamento de Estado americano, a decisão foi adotada como medida de reciprocidade diante da falta de concessão do agrément pelo Brasil a Daniel Perez, indicado pela Casa Branca para assumir a embaixada em Brasília. O agrément é a aprovação formal exigida para a aceitação de um representante diplomático estrangeiro.
Segundo integrantes do entorno do presidente Lula, o governo brasileiro não pretende conceder o aval a indicados norte-americanos até a conclusão do processo eleitoral. Aliados governistas atribuem a imposição das tarifas e o episódio diplomático a motivações políticas ligadas às eleições de outubro, afirmando que o Planalto reforçará a defesa da soberania nacional. O grupo também planeja acusar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de atuar contra os interesses do país por conta de sua proximidade com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio.