O pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD) implementou uma significativa mudança no foco de sua pré-campanha presidencial. Após meses concentrando suas críticas no presidente Lula (PT), o ex-governador de Goiás passou a direcionar sua ofensiva diretamente a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem considera seu principal adversário no campo conservador. A alteração estratégica ganhou força a partir de 23 de julho de 2026, intensificando-se após semanas de desgaste da campanha do PL, marcadas por duas crises recentes envolvendo o senador.
A virada no discurso de Caiado ocorre em um contexto onde seus aliados avaliam que a disputa crucial para alcançar o segundo turno das eleições de 2026 se desenrola, neste momento, dentro do próprio espectro da direita. A estratégia visa explorar os desgastes acumulados por Flávio Bolsonaro, buscando convencer o eleitorado conservador de que o ex-governador de Goiás representa uma alternativa mais competitiva e viável para o pleito, consolidando-se como uma opção de centro-direita.
Um dos catalisadores para essa mudança foi o anúncio do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Ronaldo Caiado criticou publicamente a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e associou o episódio à postura da família Bolsonaro. Em suas redes sociais, ele ironizou o green card obtido por Eduardo e publicou uma enquete comparando um “Pateta da política brasileira” a um personagem da Disney, sugerindo que as ações de Eduardo poderiam ter consequências econômicas negativas para o Brasil. Posteriormente, Caiado ampliou o foco para Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador estaria mais preocupado com a disputa eleitoral do que com os interesses econômicos do País, especialmente após Flávio enviar uma carta a autoridades norte-americanas defendendo que as negociações sobre as tarifas fossem retomadas apenas após as eleições brasileiras.
Outro ponto que impulsionou a nova estratégia foi a reunião de Flávio Bolsonaro com representantes de 42 países, na qual o senador voltou a questionar o sistema eleitoral brasileiro. Na ocasião, Flávio afirmou, sem apresentar provas, que urnas brasileiras teriam a mesma origem da empresa Smartmatic, uma declaração que já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em contrapartida, Caiado utilizou suas redes sociais para criticar a escolha do tema do encontro, escrevendo: “42 embaixadores numa sala: Dava para vender soja. Dava para abrir mercado para indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!”. A pré-campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou posteriormente que o senador não questionou a integridade do sistema eleitoral e reiterou confiança nas eleições brasileiras.
A decisão de Caiado de polarizar na direita é embasada por pesquisas de intenção de voto. Um levantamento do Real Time Big Data, realizado entre 18 e 20 de julho de 2026 com 2.000 pessoas, e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09247/2026 com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, indica que 67% dos eleitores de Flávio Bolsonaro considerariam mudar de voto para impedir uma vitória do presidente Lula. Nesse cenário, Ronaldo Caiado emerge como o principal destino desses votos, sendo citado por 25% dos entrevistados caso Flávio não esteja na disputa. A própria equipe do ex-governador admite que a estratégia é explorar as sucessivas crises enfrentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro para angariar apoio.