A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) tem participado ativamente da campanha de sua mãe, Rita Zambelli (PL-SP), candidata a uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. A ex-parlamentar permanece na Itália enquanto aguarda a deliberação sobre um novo pedido de extradição feito pelas autoridades brasileiras, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.
De acordo com Rita Zambelli, a filha colabora na formulação de pautas, produz conteúdos voltados para redes sociais e grava vídeos de apoio. Além de Rita, o irmão da ex-deputada, Bruno Zambelli (PL-SP), concorre à reeleição na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A candidata informou que decidiu disputar o pleito por incentivo direto da filha. “A voz dela não pode ser calada no Brasil”, declarou Rita.
Carla Zambelli acumula condenação de dez anos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à inserção de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. A sentença judicial também determinou a perda de seu mandato, revés rejeitado pelo plenário da Câmara, o que levou a parlamentar a renunciar dias após a votação. Em outro processo, o STF aplicou pena de cinco anos e três meses em regime semiaberto pelo episódio em que sacou uma arma de fogo em vias públicas de São Paulo — caso que fundamenta o segundo pedido de extradição formulado pelo Brasil.
Segundo o relato, Zambelli deixou o Brasil em junho de 2025, um mês após o julgamento referente ao CNJ. Ela foi presa na Itália em julho daquele ano e liberada em maio de 2026. A Justiça italiana indeferiu a extradição pelo primeiro processo, e a Corte de Apelação local deve reavaliar o novo requerimento a partir de outubro.
Durante o período em que esteve detida em Roma, Carla recebia cartas da mãe, que eram enviadas por meio eletrônico, impressas pela equipe e respondidas de forma manuscrita. Rita informou que procurava não debater assuntos políticos nas mensagens. “Não falávamos de política. Eu procurei o mínimo possível levar mais problemas para ela de fora”, relatou. Após a soltura, o contato passou a ocorrer frequentemente por chamadas de vídeo.
Sob o lema “Jornada pela Justiça”, Rita afirma manter posicionamentos semelhantes aos da filha, incluindo combate à corrupção, endurecimento penal, oposição ao aborto e suporte aos que classifica como presos políticos. A postulante reconheceu que sua entrada na disputa eleitoral pode ser interpretada como uma forma de suprir a inelegibilidade de Carla.
Em termos financeiros, a campanha de Rita Zambelli recebeu R$ 500 mil do Partido Liberal, o que representa 99,9% das doações registradas até o momento. Bruno Zambelli realizou uma contribuição de R$ 50 mil. Em paralelo, familiares seguem com arrecadação para custear despesas advocatícias de Carla na Itália, cujo montante ainda não cobre todos os honorários previstos.