Cidade na Alemanha veta novas placas em memória de vítimas do Holocausto

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

O Conselho Municipal de Heidenau, cidade de 16,5 mil habitantes localizada no estado da Saxônia, leste da Alemanha, aprovou uma moção para vetar a instalação de futuras placas nas calçadas em homenagem às vítimas do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.

A proposta foi apresentada de forma conjunta pelo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) e pela legenda conservadora União Democrata-Cristã (CDU), sigla do chanceler federal Friedrich Merz. Com a decisão, futuras homenagens deverão se concentrar exclusivamente em um memorial situado em um cemitério na zona norte do município.

As homenagens suspensas são conhecidas como “pedras de tropeço” (Stolpersteine). Trata-se de blocos de concreto com placas de latão de dez por dez centímetros fixadas no chão, posicionadas diante das últimas residências conhecidas de pessoas perseguidas pelo regime nazista, configurando uma prática tradicional na memória histórica do país.

Defensores da medida alegaram que moradores consideravam as peças inadequadas por ficarem no pavimento e sujeitas a serem pisoteadas. A votação contrariou a recomendação técnica da administração local, que indicou não haver necessidade de proibir as placas para viabilizar um espaço memorial central.

A prefeita de Heidenau, Conny Oertel, que não possui filiação partidária, posicionou-se contra a moção e solicitou a rejeição do texto. Ela ponderou, contudo, que o plenário mantinha a intenção de homenagear as vítimas, divergindo quanto ao formato.

O criador das peças, o artista Gunter Demnig, contestou o argumento de pisoteamento e defendeu que as homenagens devem permanecer visíveis nos locais de convivência das vítimas. Demnig criticou a postura da CDU, acusando a legenda de abandonar seus valores históricos.

A decisão repercutiu negativamente entre diplomatas e entidades civis. O embaixador de Israel na Alemanha, Ron Prosor, declarou: “Quem apaga as vítimas do passado apaga o próprio passado”, ressaltando a urgência de conter o antissemitismo. O vice-presidente do Comitê Internacional de Auschwitz, Christoph Heubner, classificou a aliança entre CDU e AfD no episódio como desprezível.

Dentro da própria CDU, a ministra federal da Educação, Karin Prien, chamou a resolução de “escândalo” ao jornal Bild e alertou contra o isolamento de memoriais judaicos em cemitérios. Críticas semelhantes foram feitas por Charlotte Knobloch, líder comunitária judaica na Baviera, e por Felix Banaszak, liderança do partido Os Verdes.

A aprovação intensificou o debate nacional sobre o “cordão sanitário”, pacto político pelo qual partidos tradicionais alemães evitam alianças com a AfD. O episódio ocorre em meio a desgastes eleitorais da CDU e a acusações mútuas sobre antissemitismo no cenário partidário alemão, que também atingem figuras da legenda A Esquerda em Berlim.

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