Ao menos 68 pessoas morreram e 80 ficaram feridas após uma colisão traseira entre dois trens de alta velocidade nas proximidades de Urda, a cerca de 140 quilômetros ao sul de Madri. As informações sobre o número de vítimas foram divulgadas por Ester Padilla, porta-voz do governo regional de Castela-Mancha.
O acidente ocorreu por volta das 8h54 no horário local (3h54 em Brasília), em um trecho da ferrovia que liga Madri a Sevilha, entre os municípios de Mora e Orgaz. Uma composição da operadora estatal Renfe, que transportava entre 393 e 397 passageiros, colidiu contra a traseira de um trem da empresa Iryo, que levava 147 ocupantes — incluindo um bebê — e se encontrava parado sobre a via. Com o impacto, vagões descarrilaram e parte da estrutura caiu em um barranco às margens dos trilhos.
Segundo informações preliminares apresentadas pelo ministro dos Transportes, Óscar Puente, o sistema de gestão de tráfego ferroviário (LZB) apresentou pane após uma falha de comunicação entre computadores. Com a interrupção técnica, o centro de controle de Madri assumiu a operação manual de um trecho de aproximadamente 69 quilômetros. Às 8h36, o trem da Renfe recebeu autorização para avançar, apesar da presença da outra composição nos trilhos e de um sinal vermelho ativo.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, prometeu apurar as causas da tragédia. “Não é aceitável que a Espanha sofra dois acidentes graves com trens de alta velocidade em menos de um ano”, declarou o chefe de governo.
De acordo com o ministro Puente, as normas de segurança não autorizavam a circulação em velocidade normal sob tais circunstâncias. Pelos protocolos, caso houvesse liberação excepcional, a velocidade deveria ser restrita a menos de 40 km/h para viabilizar paradas emergenciais. O Ministério dos Transportes e a ADIF apuram os fatos, enquanto o Sindicato Ferroviário espanhol afirmou ser prematuro e irresponsável apontar erro humano antes da conclusão formal dos laudos.