Conselho da Europa vê crise de ‘dinheiro e poder’ na Copa e cobra resposta da Fifa

Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Secretário-geral propõe marco de integridade para o futebol após polêmicas.

O Conselho da Europa, por meio de seu secretário-geral Alain Berset, manifestou neste domingo (19) preocupação com questões políticas e de integridade ligadas à Copa do Mundo de 2026. Em um comunicado, Berset propôs à Fifa a criação de um espaço permanente de diálogo, com o objetivo de discutir e implementar medidas de integridade no futebol. A iniciativa busca construir um marco regulatório para a Copa de 2030, enfatizando a necessidade de ações imediatas para enfrentar os desafios atuais.

A crítica de Berset descreveu a edição de 2026 como um torneio de “pergunta atrás de pergunta”, alertando para riscos que, em sua avaliação, já exercem pressão sobre a próxima competição. O secretário-geral afirmou categoricamente que “A próxima crise já começou. Ela tem dois nomes: dinheiro e poder”, sublinhando a urgência de um debate aprofundado com a entidade máxima do futebol. A proposta visa estabelecer um diálogo contínuo para garantir a transparência e a ética no esporte.

Entre os pontos levantados por Berset, destacou-se uma “sanção suspensa sob pressão”, referindo-se à intervenção do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A intervenção ocorreu na decisão do Comitê Disciplinar da Fifa após a expulsão do atacante Folarin Balogun. No mesmo episódio, Trump questionou a integridade do árbitro brasileiro Raphael Claus, afirmando, sem apresentar provas, que o juiz era “suspeito”. A Fifa, Conmebol e CBF saíram em defesa do árbitro, e Berset reforçou que “Quando as regras se dobram sob pressão, todo resultado fica em dúvida”.

O secretário-geral também abordou casos de racismo contra jogadores durante a competição, apontando que parte desses ataques partiu de autoridades eleitas. A referência envolveu a senadora paraguaia Celeste Amarilla, que proferiu ataques ao atacante francês Kylian Mbappé. Além disso, Berset criticou a presença de uma casa de apostas entre os patrocinadores da Copa, argumentando que “As apostas deixaram de se concentrar no resultado de uma partida e passaram a se voltar para momentos que um único jogador pode produzir sem alterar o placar. Uma aposta vencida ao fazer outros perderem. É uma porta aberta para a fraude. E esta Copa do Mundo abriu essa porta ainda mais”.

Para sustentar a relevância de sua proposta de um marco regulatório, Alain Berset recordou a tragédia do Estádio Heysel, em 1985, quando 39 pessoas morreram. Na ocasião, o Conselho da Europa agiu rapidamente, criando em apenas três meses um tratado vinculante sobre segurança em estádios. Ele citou ainda outras convenções importantes, como a Antidoping, com 52 Estados signatários, e a de Macolin, sobre manipulação de competições esportivas, com 43 países. “Cada vez, o Conselho da Europa respondeu com a lei”, afirmou Berset, reforçando a capacidade da instituição de atuar em prol da integridade esportiva.

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