Delcy Rodríguez critica governo Maduro e busca reaproximação com os Estados Unidos

Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Líder venezuelana avalia erros passados e detalha conversas com Trump

Em uma reveladora entrevista à revista Time, a líder venezuelana Delcy Rodríguez afirmou que o maior erro do governo de Nicolás Maduro foi a falta de abertura geopolítica, defendendo uma urgente reaproximação com os Estados Unidos. A declaração ocorre após Rodríguez assumir o comando do Palácio de Miraflores há quase sete meses, em um período de significativas transformações políticas no país sul-americano.

A ascensão de Delcy Rodríguez ao poder sucedeu a derrubada de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, um evento que ela descreveu como um “ponto de inflexão” para a Venezuela. A operação militar dos Estados Unidos que culminou na saída de Maduro, atualmente detido em Nova York sob acusações de narcotráfico, marcou uma mudança drástica no panorama político venezuelano. Rodríguez, no entanto, negou ter sido previamente informada sobre a ofensiva americana, contrariando sugestões de alguns analistas.

Ao fazer uma autocrítica contundente do governo anterior, Delcy Rodríguez enfatizou que a Venezuela deveria ter diversificado suas alianças internacionais muito antes. “Nós deveríamos ser mais abertos geopoliticamente”, declarou, explicando que essa reflexão fundamenta a decisão de buscar uma nova e mais construtiva relação com Washington. A líder venezuelana revelou que seu primeiro contato telefônico com o então presidente Donald Trump ocorreu poucos dias após sua posse, onde solicitou que a relação fosse baseada no respeito mútuo, um pedido prontamente aceito por Trump.

Rodríguez também detalhou um episódio que ilustra o caráter prático das conversas com Trump, relatando um telefonema inesperado mediado pelo secretário de Estado Marco Rubio. Durante essa ligação, Trump comunicou pessoalmente a decisão de aprovar voos comerciais para a Venezuela, demonstrando um foco claro na agenda de trabalho e cooperação. Segundo Rodríguez, o restabelecimento das relações entre Caracas e Washington progrediu em ritmo acelerado, com a chegada dos primeiros representantes diplomáticos americanos e a nomeação de um encarregado de negócios que tem desempenhado um papel ativo na reconstrução do diálogo bilateral.

Quanto ao futuro político interno, Delcy Rodríguez evitou fixar uma data para novas eleições presidenciais, afirmando que o pleito só ocorrerá quando houver consenso entre as forças políticas e um entendimento nacional que assegure à população a prontidão do sistema político. Ela também se absteve de comentar sobre o futuro político da líder opositora María Corina Machado. No âmbito econômico, a líder venezuelana reiterou que a abertura para investimentos privados continuará sendo uma prioridade, com petróleo e gás mantendo-se como pilares da economia, e planos para expandir a indústria petroquímica. Mineração, produção de alimentos e turismo foram apontados como setores estratégicos para impulsionar o crescimento econômico do país.

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