Em 2026, todos os candidatos correm contra Lula. Pesquisa Nexus/BTG aponta cenário

Redação
Colunista
4 leitura mínima
Foto: Raul Spinassé e Ricardo Stuckert/Divulgação

Lula lidera 1º turno, mas empata tecnicamente no 2º com direita.

Uma nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (27), revelou um panorama eleitoral complexo para a corrida presidencial de 2026. Os dados indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança nas intenções de voto no primeiro turno. Contudo, o cenário se mostra de alta competitividade no segundo turno, onde o atual mandatário aparece em empate técnico com diversos pré-candidatos da direita, conforme análise do CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, ao Hora H.

No primeiro turno, a pesquisa aponta que Luiz Inácio Lula da Silva detém 42% das intenções de voto. Ele é seguido por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registra 33%. A sondagem, que ouviu 2.004 eleitores de todo o país entre os dias 24 e 26 de julho, possui um nível de confiança de 95% e está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Marcelo Tokarski, ao comentar os resultados, descreveu a eleição de 2026 como uma corrida de “todos contra o presidente Lula“, destacando os desafios inerentes ao pleito.

Os cenários simulados para o segundo turno reforçam a percepção de uma disputa acirrada. Em um confronto direto com Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% do adversário, um resultado que se encontra dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa também simulou duelos com outros nomes da direita: contra Ronaldo Caiado (PSD), o placar é de 45% para Lula e 43% para Caiado, configurando outro empate técnico. Já em um embate com Romeu Zema (Novo), Lula registra 46% das intenções, enquanto Zema alcança 42%.

A análise de Marcelo Tokarski ao Hora H chamou atenção para o desempenho de Ronaldo Caiado nos cenários de segundo turno, afirmando que ele é “o candidato que melhor performa”. No entanto, Tokarski ressaltou o obstáculo de Caiado no primeiro turno, onde ele aparece com apenas 6% das intenções de voto, significativamente abaixo dos 33% de Flávio Bolsonaro. O CEO da Nexus traçou um paralelo com a campanha de Ciro Gomes em 2022, que também liderava cenários de segundo turno sem conseguir votos suficientes para avançar. Entre os fatores decisivos para o pleito, Tokarski apontou a abstenção eleitoral, a rejeição dos candidatos e o impacto do chamado “tarifaço americano”.

A abstenção, especialmente entre eleitores de baixa renda – base tradicional de Lula –, é vista como um desafio crucial. Tokarski lembrou que, na última eleição, 20,9% das pessoas não compareceram às urnas, e que eleitores que declaravam intenção de votar em Lula foram os que mais se abstiveram. Para o CEO, o engajamento desse eleitorado será fundamental, pois “a eleição no Brasil tem um componente de paixão”. A pesquisa também mediu a rejeição dos candidatos: Lula registra 48%, e Flávio Bolsonaro, 50%. Candidatos da chamada terceira via, como Renan Santos (27%), Ronaldo Caiado (29%) e Romeu Zema (32%), apresentam índices menores, mas ainda enfrentam alto desconhecimento. A avaliação do governo se mantém estável, com 43% classificando-o como ruim ou péssimo e 36% como ótimo ou bom. A economia, segundo Tokarski, será o principal território de disputa narrativa entre Lula e Flávio Bolsonaro nas próximas semanas, enquanto a percepção sobre o “tarifaço americano” divide o eleitorado, com 53% acreditando em motivação política e 32% em decisão comercial, refletindo a polarização que pouco altera as intenções de voto dos principais candidatos.

Compartilhe este artigo