Ex-deputado acusa senador de interferir em partido para barrar candidatura

Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Tony Garcia alega que Sergio Moro ‘corrompeu’ o Democracia Cristã no Paraná.

O ex-deputado estadual Tony Garcia fez acusações contra o senador Sergio Moro (PL-PR), alegando que o parlamentar interferiu no partido Democracia Cristã (DC) com o objetivo de impedir sua candidatura ao governo do Paraná. A denúncia surge em um contexto de movimentações políticas pré-eleitorais, onde Garcia pretendia se apresentar como adversário direto do ex-juiz da Lava Jato na disputa pelo executivo estadual.

A controvérsia ganhou destaque após o Democracia Cristã desativar a comissão provisória que era presidida por Ricardo Gomyde, responsável pela articulação da candidatura de Tony Garcia. Em seu lugar, uma nova Executiva estadual foi estabelecida, passando a ser comandada pela prefeita de Clevelândia, Rafaela Losi. Esta nova composição incorporou dirigentes que, segundo as alegações, possuem ligações com o senador Sergio Moro, alterando a dinâmica interna da legenda.

Tony Garcia afirmou que o senador ‘corrompeu’ o partido e cooptou sua direção nacional para alinhar a legenda ao palanque de Moro. Ele foi além, chamando Rafaela Losi de ‘laranja’ e acusando Moro de ter interferido tanto na escolha da nova presidente quanto na nomeação de Fabio Bento Aguayo como primeiro-secretário da sigla. Garcia também mencionou que o marqueteiro Marcelo Cattani teria procurado Ricardo Gomyde com a intenção de convencê-lo a ‘vender’ a candidatura do partido, embora essas declarações não tenham sido publicamente acompanhadas de provas até o momento.

Diante da intervenção, a antiga direção do Democracia Cristã, liderada por Ricardo Gomyde, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar anular a dissolução da comissão provisória. No mandado de segurança, Gomyde argumenta que a comissão foi desativada sem comunicação prévia, sem indicação de irregularidades ou oportunidade de defesa, solicitando o restabelecimento do grupo anterior e sustentando que a troca teve um objetivo político claro de inviabilizar a candidatura própria. O conflito entre Garcia e Moro, por sua vez, tem raízes mais profundas, remontando a 2004, quando Garcia foi preso por ordem do então juiz Moro no processo sobre o Consórcio Garibaldi. Anos depois, Garcia passou a alegar que Moro o teria utilizado para gravar clandestinamente autoridades durante investigações no Paraná, acusações que o senador nega.

A assessoria de Sergio Moro, em resposta às acusações, caracterizou Tony Garcia como um ‘personagem folclórico que surge em períodos eleitorais’ e destacou que ele foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com trânsito em julgado, no caso do Consórcio Garibaldi. Contudo, o senador não se manifestou diretamente sobre as alegações de sua suposta participação na mudança do comando partidário. A intervenção no Democracia Cristã, embora coloque em risco a candidatura de Tony Garcia concebida para confrontar Moro, ainda não representa sua retirada formal da disputa. A decisão final sobre a candidatura e as alianças no Paraná caberá à convenção do DC e à direção que estiver com poderes para tal no encontro partidário.

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