Após cinco meses de conflito entre os Estados Unidos e o Irã, a maioria da população norte-americana avalia que a ação militar causará mais instabilidade no Oriente Médio. De acordo com uma pesquisa promovida pela Reuters/Ipsos, 50% dos entrevistados acreditam que a intervenção militar desestabilizará a região no próximo ano, enquanto apenas 17% preveem mais estabilidade. Outros 16% disseram que a situação permanecerá no mesmo nível e 17% não souberam ou não quiseram responder.
O pessimismo do público norte-americano também se estende aos impactos econômicos. Cerca de 58% dos participantes responderam que esperam um encarecimento no preço da gasolina, contra 15% que projetam melhora. A alta nos preços reflete as restrições de tráfego impostas pelo Irã no Estreito de Ormuz, passagem essencial para o fluxo mundial de petróleo. Além disso, a maior parte dos pesquisados demonstrou receio quanto ao agravamento da invasão da Ucrânia pela Rússia e quanto ao surgimento de novos conflitos no cenário global.
Efeitos políticos e eleitorais
Os resultados evidenciam desafios políticos para o presidente Donald Trump e seu partido, que buscam manter maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro. Trump assumiu o mandato em janeiro de 2025 com o compromisso de evitar guerras. Entre os eleitores republicanos, embora 80% aprovem o governo de forma geral e 66% apoiem a condução do conflito contra o Irã, menos da metade — 41% — avalia que a intervenção resultará em maior estabilidade no Oriente Médio.
O conflito, iniciado no fim de fevereiro em cooperação com Israel, já resultou em ataques iranianos com mísseis e drones contra países vizinhos e navios comerciais, além de desdobramentos no Líbano e ameaças dos houthis à navegação perto do Mar Vermelho. Estima-se que a guerra já custou aos cofres dos EUA pelo menos US$ 37,5 bilhões, provocou a morte de 18 militares norte-americanos e causou milhares de mortes no Irã.
Segundo David Schenker, ex-autoridade do Departamento de Estado e atual membro do Instituto de Washington para a Política do Oriente Próximo, os reflexos econômicos do conflito podem persistir mesmo após o término das ações militares. Contudo, Schenker destacou o enfraquecimento das forças iranianas pelas operações norte-americanas e israelenses, declarando: “Não creio que haja uma compreensão da natureza da degradação das capacidades do Irã, que é significativa”.