O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, o levantamento do sigilo de um dos inquéritos referentes ao caso do Banco Master. O pedido ocorre antes da sessão do plenário marcada para terça-feira (15).
Moraes sustentou que dados relevantes para a deliberação não foram abertos pelo relator da matéria, ministro André Mendonça, e requereu o compartilhamento das peças com todos os magistrados do colegiado. A petição abrangeria informações sobre movimentações financeiras ligadas a Daniel Vorcaro e à instituição financeira.
No documento enviado à presidência, Moraes registrou: “Ocorre, entretanto, que não foi levantado o sigilo da PET 15645, distribuída por prevenção ao Ministro André Mendonça e que possui elementos essenciais para o julgamento da PET 16662, previsto para a próxima terça-feira, 15 de setembro. Solicito à Vossa Excelência que seja determinado o levantamento do sigilo da PET 15645 e a disponibilização dos autos a todos os integrantes do colegiado, antes do referido julgamento”.
Após receber a solicitação, Fachin determinou na noite de domingo que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste “com a brevidade”. Fachin assumiu no sábado (12) a condução da matéria no plenário.
A pauta de terça-feira prevê a análise de um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro. O documento policial foi elaborado por determinação de Mendonça no âmbito das investigações do caso Master.
A PGR já formalizou posicionamento favorável ao arquivamento do relatório da PF, sob a justificativa de vício de origem na produção das peças. Segundo o órgão, a medida foi ordenada sem prévia ciência à presidência do STF, sem deliberação do plenário e com direcionamento indevido.
De acordo com os autos da apuração policial, foram identificadas 52 mensagens trocadas entre 21 de dezembro de 2023 e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão de Vorcaro. O relatório sustenta que o ministro teria atuado na análise e revisão de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e a banca Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci.