O governo federal brasileiro decidiu adiar a análise do pedido de concessão do agrément ao deputado da Flórida Daniel Perez, indicado pelos Estados Unidos para assumir a embaixada norte-americana no Brasil. A decisão do Palácio do Planalto ocorre após a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, ação interpretada por integrantes do governo como pressão política vinculada ao processo eleitoral de 2026.
De acordo com interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a tendência é de que o pedido em favor do indicado norte-americano não seja avaliado até o encerramento do período eleitoral. Ao anunciar a medida contra a diplomata brasileira, o Departamento de Estado dos EUA havia pontuado que o governo brasileiro ainda não dera autorização oficial para a nomeação de Perez, o que aumentou a tensão entre os dois países.
Embora o Itamaraty realize a avaliação técnica do nome indicado, a decisão final é de responsabilidade do presidente da República. No governo, a percepção inicial era de que Daniel Perez poderia ser aceito caso preenchesse os requisitos diplomáticos, mas a decisão dos EUA contra a embaixadora brasileira passou a ter peso político determinante na análise.
Falta de consulta prévia e insatisfação diplomática
Outro ponto de insatisfação do governo brasileiro é a condução da indicação por Washington sem a realização de consultas prévias ao Itamaraty, procedimento considerado padrão no meio diplomático. Integrantes do governo também questionam o momento escolhido para acelerar a escolha de um novo embaixador, em período próximo às eleições brasileiras, lembrando que a gestão de Donald Trump mantinha o posto vago até então.
Apesar da escalada na crise, o Planalto considera que novas medidas contra autoridades brasileiras são possíveis, mas avalia como pouco provável a aplicação de sanções econômicas, financeiras ou comerciais no momento. O governo brasileiro acompanha o caso e estuda adotar medidas de reciprocidade a depender dos próximos desdobramentos.
Permanência da embaixadora em Washington
A avaliação do Palácio do Planalto é que a revogação do visto tem caráter predominantemente simbólico. Por esse motivo, Maria Luiza Ribeiro Viotti continuará no exercício de suas funções na embaixada do Brasil na capital dos Estados Unidos.
Segundo informações de integrantes do governo, a diplomata perdeu a autorização para realizar múltiplas entradas nos Estados Unidos. Ela pode permanecer no país durante a missão, mas enfrentará dificuldades para retornar caso saia do território norte-americano. O governo pretende agir com cautela e não prevê a substituição imediata da diplomata, embora a decisão possa ser reavaliada em caso de novos episódios contra representantes do Brasil.