Políticos argentinos condenam ataques de Milei a Lula e Moraes

Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Oposição argentina condena ataques de Milei a Lula e Moraes

Políticos da oposição argentina condenaram veementemente as declarações do presidente Javier Milei contra o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As críticas surgiram após um evento do Partido Liberal (PL) em São Paulo, onde Milei endureceu seu discurso, provocando uma onda de reações negativas na Argentina, com manifestações ocorrendo nos dias 26 e 27 de julho de 2026.

A postura de Milei foi vista como um risco à relação estratégica entre Argentina e Brasil, país que é o principal parceiro comercial da nação vizinha. Lideranças ligadas ao peronismo e outros setores da oposição argentina afirmaram que o presidente não representa o sentimento do povo argentino, que valoriza a integração regional e os laços bilaterais, e que suas ações colocam em xeque a diplomacia bilateral.

Entre os primeiros a se manifestar, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, entrou em contato com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, para reiterar que Milei não reflete a opinião da população argentina. O Partido Justicialista (PJ), presidido por Cristina Kirchner, classificou os ataques como “inadmissíveis” e uma “vergonha para a história da integração regional”, destacando a importância do Brasil como parceiro comercial e ator estratégico para o desenvolvimento argentino. A legenda ainda afirmou que a política externa do governo atual vive “a página mais negra das relações bilaterais com o povo irmão brasileiro”.

O Frente Renovador, partido liderado por Sergio Massa, também expressou preocupação, alertando para os impactos econômicos do conflito diplomático. O partido enfatizou que milhares de pequenas e médias empresas, indústrias e empregos argentinos dependem da relação com o Brasil, que continua sendo o principal parceiro comercial. O deputado Guillermo Michel considerou o ataque a Lula uma “grande estupidez”, ressaltando que o Brasil representa cerca de 14% das exportações argentinas. A deputada Sabrina Selva e o presidente do Frente Renovador, Diego Giuliano, reforçaram a importância da relação bilateral para o emprego e criticaram Milei por utilizar viagens internacionais para fazer campanha política em vez de defender os interesses nacionais.

As críticas se estenderam a diversos parlamentares e integrantes do governo da província de Buenos Aires, como a deputada Jimena López, o deputado Ramiro Gutiérrez, o deputado Jorge “Koky” Araujo e o deputado provincial Alexis Guerrera, que alertaram para os prejuízos à indústria, comércio e trabalhadores argentinos. O ministro dos Transportes da Província de Buenos Aires, Martín Marinucci, a deputada Gabriela Lizana e o ex-ministro da Educação Nicolás Trotta também aderiram às críticas, com Trotta definindo Lula como “um líder fundamental da América Latina e presidente do principal parceiro estratégico da Argentina”. As manifestações evidenciam o crescente desconforto da oposição com a crise diplomática, que já gera repercussões políticas e econômicas em ambos os países, sublinhando a necessidade de diálogo e respeito para a integração regional.

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