Datafolha e PoderData devem apresentar nesta quinta-feira a primeira fotografia nacional da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula depois do resultado de domingo. Mais importante que olhar apenas quem aparece numericamente à frente será entender para onde estão indo os eleitores dos candidatos eliminados e quanto ainda existe de voto disponível.
A eleição presidencial entra nesta quinta-feira, 8 de outubro, em uma nova fase.
Até agora, toda a discussão sobre o segundo turno esteve baseada no resultado das urnas de domingo e nas movimentações políticas que aconteceram depois dele.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos. Lula ficou com 45,16%. A diferença foi pequena o suficiente para manter a disputa completamente aberta, mas grande o bastante para obrigar as duas campanhas a repensarem suas estratégias.
Agora começa a aparecer a primeira resposta do eleitor.
Duas pesquisas chegam nesta quinta
Datafolha e PoderData registraram pesquisas nacionais para divulgação nesta quinta-feira.
O Datafolha prevê 2.520 entrevistas realizadas entre terça e quinta, com margem de erro de dois pontos percentuais. O PoderData programou três mil entrevistas entre segunda e quarta-feira, com margem declarada de 1,8 ponto.
Na sexta-feira, a AtlasIntel também deverá apresentar um levantamento nacional, com cinco mil entrevistas previstas.
Isso significa que, em aproximadamente 24 horas, o país terá três fotografias diferentes da disputa.
Só que o número mais importante não necessariamente será aquele que aparecer em letras maiores.
A primeira pergunta é: para onde foi o voto dos eliminados?
O primeiro turno concentrou a esmagadora maioria dos votos em Flávio e Lula, mas ainda deixou alguns milhões de eleitores disponíveis.
Ronaldo Caiado declarou apoio a Flávio.
Romeu Zema também.
Partidos que ficaram neutros ou divididos no primeiro turno começaram a se movimentar para o candidato do PL.
A pergunta agora é se esses apoios partidários conseguem realmente transportar votos.
Não existe transferência automática.
Um candidato pode declarar apoio sem conseguir levar consigo a mesma proporção de seus eleitores. É justamente por isso que os cruzamentos das pesquisas serão tão importantes quanto o resultado geral.
A segunda questão é a rejeição
Segundo turno não funciona apenas pela capacidade de conquistar novos votos.
Funciona também pela capacidade de impedir que o adversário os conquiste.
Por isso, rejeição será um dos indicadores mais relevantes dessa rodada.
Flávio precisa entender se conseguiu ampliar sua votação para além do eleitor bolsonarista que já compareceu no primeiro turno.
Lula precisa saber se o resultado de domingo foi um piso, do qual consegue crescer, ou se parte do eleitorado que rejeitou sua candidatura continua resistente mesmo diante de uma disputa exclusivamente contra Flávio.
Não é possível responder isso olhando apenas para intenção de voto.
Tarcísio e o Centrão entram na fotografia
Há outro fator novo que as pesquisas começarão a captar.
Quando o eleitor foi às urnas domingo, Flávio Bolsonaro ainda não possuía a coalizão partidária que está formando agora.
Nesta quarta-feira, União Brasil e PP formalizaram apoio ao candidato. O Novo fez o mesmo. O Republicanos abandonou a neutralidade do primeiro turno e aderiu depois de uma forte articulação de Tarcísio de Freitas. O Podemos prepara movimento semelhante.
Portanto, a campanha que será medida agora é politicamente diferente daquela que terminou domingo.
Isso não significa que os apoios necessariamente produzirão crescimento eleitoral. Significa que, pela primeira vez, será possível começar a medir se produziram algum efeito.
Lula também entra numa campanha diferente
Do lado do presidente, a preocupação é igualmente clara.
O primeiro turno mostrou uma disputa mais apertada do que o governo desejava e obrigou a campanha a rever comunicação, presença digital e mobilização.
Ao mesmo tempo, Lula tenta transformar temas como o fim da escala 6×1 em uma disputa social direta com Flávio e buscar eleitores que não votaram no PT no primeiro turno.
Essa estratégia também começará a ser testada agora.
E existe um eleitor que ninguém pode ignorar
O segundo turno não será decidido apenas por quem troca de candidato.
Existe também o eleitor que não votou.
Mais de 33 milhões de brasileiros se abstiveram no primeiro turno, além daqueles que votaram branco ou nulo. Esse grupo não forma um bloco homogêneo, mas é grande demais para ser tratado como detalhe.
Uma das batalhas das próximas semanas será justamente convencer parte dessas pessoas a comparecer em 25 de outubro.
Por isso, vale observar nas pesquisas não apenas Flávio e Lula.
Vale procurar indecisos, brancos, nulos, rejeição e disposição para votar.
Quinta-feira não decide a eleição
A primeira rodada não será uma previsão do resultado do dia 25.
Pesquisa mede um momento específico da campanha, e ainda restam debates, horário eleitoral, alianças, crises, decisões judiciais e mais de duas semanas de disputa.
Mas ela responde à primeira grande pergunta do segundo turno.
Depois de tudo que aconteceu desde domingo, o eleitor se movimentou ou continua praticamente no mesmo lugar?
Essa será a informação mais importante desta quinta-feira.
E, a partir dela, as duas campanhas finalmente saberão onde realmente começa o segundo turno.