O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a monitorar por dez dias a localização aproximada dos celulares do senador Jaques Wagner (PT-BA) e de outros investigados. A medida integra a Operação Compliance Zero e foi tomada no âmbito de um inquérito que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas ao Banco Master. A decisão, assinada em 17 de junho, teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (31).
A investigação em curso examina a compra de um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões, possíveis repasses a uma empresa ligada à família do senador, e uma eventual atuação parlamentar em temas de interesse do Banco Master. O senador Jaques Wagner, por sua vez, nega ter favorecido a instituição financeira em qualquer momento.
A autorização concedida pelo ministro André Mendonça permite à Polícia Federal acessar metadados como estações rádio-base, histórico de chamadas, identificação de aparelhos e registros de conexão. Esses dados periféricos são cruciais para os investigadores reconstruírem deslocamentos, verificarem encontros e mapearem contatos entre os alvos. Contudo, é importante ressaltar que a medida não alcança o conteúdo de conversas ou mensagens, focando exclusivamente em informações de localização e conexão.
A decisão de Mendonça acolheu parcialmente o pedido da Polícia Federal, autorizando o acompanhamento em tempo real de seis alvos, incluindo Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e apontado como um dos operadores ligados à instituição. A PF identificou um total de 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima no período de novembro de 2023 a maio de 2025. Essas chamadas somaram mais de cinco horas e meia ao longo de 555 dias, um dado que os investigadores consideram um forte indício de uma relação frequente entre os dois.
Na sua decisão, o ministro André Mendonça destacou que a Polícia Federal apresentou indícios de que os investigados poderiam recorrer a chamadas de voz, encontros presenciais, mensagens temporárias e linguagem cifrada para reduzir a produção de provas documentais. Para o relator, o monitoramento de localização pode orientar futuras diligências, como a apreensão de celulares, a preservação de dados digitais e a busca por documentos. Mendonça também expressou preocupação com um possível vazamento da operação, citando um pedido de audiência feito por um dos investigados em seu gabinete no mesmo dia em que a PF apresentou as representações para essa fase da apuração, em 9 de junho de 2026. O ministro ressaltou que a autorização não representa um juízo de culpa nem define a participação dos investigados nos fatos, justificando a medida pela necessidade de coleta de dados periféricos para confirmar ou afastar vínculos com os eventos em apuração.